Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)

 

 

IHERING, HERMANN FRIEDRICH ALBRECHT VON

Outros nomes e/ou títulos: Ihering, Hermann von

 

 

DADOS PESSOAIS
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
PRODUÇÃO INTELECTUAL
FONTES
FICHA TÉCNICA

 

 

 

 

 

 

DADOS PESSOAIS

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering nasceu em 9 de outubro de 1850, em Kiel (Alemanha), e era filho de Caspar Rudolf von Ihering (1818-1892), destacado jurista alemão e autor de “Der Zweck im Recht” (“A Luta pelo Direito”), cujo primeiro volume foi publicado em 1877.

Casou-se com Anna Maria Clarz Belzer, viúva e mãe de Sebastião Wolf, que viria a ser destaque na equipe brasileira de tiro nos Jogos Olímpicos da Antuérpia (1920). Desse casamento teve dois filhos, Clara von Ihering e Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering, e este último também pesquisador da zoologia brasileira. Posteriormente, sua esposa Anna Maria Clarz Belzer faleceu, e Hermann Friedrich Albrecht von Ihering casou-se com Meta Buff, sobrinha neta do escritor Johann Wolfgang von Goethe (1749-1839).

Naturalizou-se brasileiro em 1885.

Faleceu em 24 de fevereiro de 1930, em Büdigen, Upper Hesse (Alemanha).

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TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, foi para Viena em 1868, e lá iniciou seus estudos de medicina. Em 1870 alistou-se, em Darmstadt, no 117º Regimento dos Mosqueteiros, e serviu como assistente de médico em um lazareto.

Doutorou-se em medicina, em 1873, na Universidade de Göttingen, e obteve seu PhD em zoologia em 1876. Foi leitor de zoologia na Friedrich-Alexander-Universität-Erlangen-Nürnberg (University of Erlangen-Nuremberg), em 1876, e Privatdozent de zoologia na Universität Leipzig, em 1878 (FUNARI, 2002).

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering veio para o Brasil em 1880, e segundo Daniel Henrique Vitorazzi (2006), esta viagem teria sido em parte devido a um certo estremecimento de suas relações com seu pai, Caspar Rudolf von Ihering, por não ter se casado com a pretendente escolhida por este, e também por encontrar-se encantado com as maravilhas das terrras brasileiras. De acordo com Maria von Ihering de Azevedo, sua neta, Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, então médico recém formado, fora substituir Dr. Wolf, médico interno de um hospital em Berlim, e nesta ocasião conheceu Anna Maria Clarz Belzer, por quem apaixonou-se, e logo após seu casamento viajou com a esposa, e seu enteado, para o Brasil (AZEVEDO, 2000).

Estabeleceu-se inicialmente na cidade de Taquara do Mundo Novo, próxima à cidade de Porto Alegre, então província do Rio Grande do Sul, e lá permaneceu de 1880 a 1883. No período em que residiu nesta cidade hospedou-se na residência de Henrique Juergensen, e organizou uma coleção de pássaros, a qual foi por classificada e empalhada com a colaboração de seu amigo Theodor Bischoff (1807-1882) (VITORAZZI, 2006). Mudou-se, em 1883, para o litoral sul daquela província, para Pedras Brancas (atualmente cidade de Guaíba), onde permaneceu por um ano. Em 14 de fevereiro de 1884 foi para a cidade do Rio Grande, onde morou até o ano de 1885, período em que observou a fauna da Lagoa dos Patos e arredores. Residiu por um curto período em São Lourenço do Sul, e em seguida adquiriu uma ilha, na foz do rio Camaquã, onde permaneceu por sete anos, e que ficou conhecida como Ilha do Doutor em decorrência de sua presença, pois era o único médico da região (AZEVEDO, 2000).

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering retratou a natureza daquela região na obra “A Lagoa dos Patos no século XIX: na visão do naturalista Hermann von Ihering” (Compilação e Tradução de Clarisse Odebrecht. Pelotas, RS: Ecoscientia, 2003). Nomeou e descreveu, junto com o ornitólogo alemão Hans Hermann Carl Ludwig von Berlepsch (1850-1915), inúmeras aves da província do Rio Grande do Sul (NOMURA, 2006). Hans Hermann Carl Ludwig von Berlepsch era Conde, e com seus recursos teria, inclusive, financiado alguma das expedições de Hermann Friedrich Albrecht von Ihering (HANS, 2006).

Em 1883 foi contratado como naturalista-viajante do Museu Imperial e Nacional, posto que ocupou até 1891. Inicialmente interessou-se por antropologia física, craniometria. Depois seus estudos abrangeram várias áreas da história natural, tendo publicado sobre botânica, antropologia e etnologia, mas dedicou-se principalmente “ao longo de sua vida, desde sua tese de doutorado, à Zoologia e Paleozoologia de moluscos” (LOPES, 2002-2003, p.28). No Museu Imperial e Nacional foi contemporâneo do também naturalista-viajante Johann Friedrich Theodor Müller (Fritz Müller) (1822-1897), autor da obra sobre darwinismo intitulada “Für Darwin” (1864), em homenagem do qual Hermann Friedrich Albrecht von Ihering veio a publicar um necrológio na Revista do Museu Paulista (v.3, p.17-29, 1898).

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, em uma correspondência com o paleontólogo argentino Florentino Ameghino (1854-1911), expressou sua opinião sobre o contexto de sua saída do Museu Nacional, assim denominado em 1891.

“A mudança do Governo no Brasil foi a desmoralização na administração e ciência; o colega o julga possível que o Museu Nacional do Rio de Janeiro com o seu orçamento de 80 contos por ano provavelmente o melhor dotado na América do Sul agora não possui um único naturalista! (....). No ano passado foi idéia me nomear [diretor da seção zoológica], mas eu não quis. Ao contrário fizeram um rescrito declarando que os naturalistas morando fora têm de mudar-se para o Rio (...). O colega sabe bem que Muller, Goeldi e eu somos agora os únicos zoólogos em todo o vasto país do Brasil. Não o valia de pagar-nos o pequeníssimo ordenado que recebemos para que continuemos nas nossas investigações e respeitados no mundo científico e representando bem a ciência natural do Brasil?” (Apud LOPES, 2002-2003, p.31)

 

 

 

 

Orville Albert Derby, chefe da Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, em carta a Hermann Friedrich Albrecht von Ihering em 12/10/1892, informou que pretendia fazer uma sugestão, junto ao Governo do Estado de São Paulo, para que fosse criada uma seção zoológica naquela Comissão, e para que esta seção ficasse sob sua responsabilidade. Conforme consta de uma outra correspondência entre Derby e von Ihering, este não teria ficado totalmente satisfeito com o convite, pois em realidade o posto que pretendia era o de diretor do Museu Paulista . Em 23 de janeiro de 1893, Orville Albert Derby lhe enviou uma outra carta, na qual afirmava que aquela proposta era a única possível naquele momento. Hermann Friedrich Albrecht von Ihering acabou aceitando as condições apresentadas por Derby, mas logo em seguida, em 1894, assumiu a direção do Museu Paulista (LOPES, 1997).

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering foi diretor do Museu Paulista até o ano de 1915. Na solenidade de inauguração o zoólogo alemão destacou o caráter científico daquela instituição:

“(...) Seja-me permitido congratular-me com sua excelencia por ter criado um museu sobre bases realmente scientificas como até agora no Brasil não existiu (...) o fim de nossas colleções é demonstrar a interessante natureza da America do Sul e do Brasil e em especial do homem sul americano (...) O que nós pretendemos fazer são classificações scientificas (...).” (Revista do Museu Paulista, 1895. Apud SCWARCZ, 1993, p.80)

 

 

No início de sua gestão se deparou com várias dificuldades, conforme relatou em setembro de 1893, em uma correspondência a Florentino Ameghino (1854-1911), paleontólogo argentino:

“Chegando aqui entrei em posição insuportável e custou-me muito obter a reorganização do Museu a que agora se está procedendo. Felizmente realizou-se isto – mas que desgostos, que trabalho até lá. (...). O primeiro trabalho que aqui fiz foi a determinação das conchas marinas dos pampas. Correspondem aos do sul do Brasil e Uruguai, fácies modernas. Vou publicar a lista nos meus Archivos. (...). Em breve terei mudança de Museu que vai ao esplêndido monumento do Ipiranga, que só tem o defeito de ser situado um pouco longe, fora da cidade. Vou ter pessoal suficiente, fazer publicação, afinal ganhei a partida” (Apud LOPES, 2002-2003, p.32)

 

 

 

Sua gestão à frente do Museu Paulista imprimiu um perfil profissional àquela instituição. A idéia defendida por Hermann Friedrich Albrecht von Ihering era a de uma intensa especialização dos museus, acompanhando a crescente especialização das ciências ocorridas na época. Pautando-se nesta linha de pensamento, o zoólogo alemão trabalhou o acervo do Museu Paulista.

A concepção de museu que imprimiu ao Museu Paulista foi a de um museu sul-americano, tendo em vista seus próprios trabalhos que apresentavam dimensões continentais. Para tal entendeu que deveriam ser coletados produtos de diversas regiões, e realizados estudos comparativos fundamentados nos métodos mais utilizados nos museus modernos e apresentados com indicações de fácil compreensão (LOPES, 1997).

Os modelos adotados pelas instituições com as quais Hermann Friedrich Albrecht von Ihering manteve intenso intercâmbio, como Musée de Paris, British Museum, e Smithsoniam Institution, foram referências para seu trabalho no Museu Paulista. Fundamentando-se em Francis Arthur Bather (1863-1934), paleontólogo e curador do British Museum, que havia proposto a divisão dos museus vinculados ao Império Britânico entre metropolitanos e coloniais, apresentou uma tipologia de museus em função de suas coleções científicas, qual seja, museus centrais, museus provinciais e museus especializados. Adotou, também, o princípio de separação das coleções, entre as coleções de estudo e as de exibição para o público, de acordo com os “The Principles of Museum Administration”, de George Brown Goode (1851-1896), ictiólogo e administrador de museu, com quem manteve contacto freqüente (LOPES, 1997).

Os esforços de Hermann Friedrich Albrecht von Ihering se voltaram para a realização de um trabalho não apenas de cunho expositivo, mas principalmente científico nas coleções. As primeiras que receberam sua maior atenção foram as coleções de moluscos sul-americanos. As chamadas coleções de estudos aumentaram, ganharam mais armários, crescendo o número de espécies nas coleções ornitológica, entomológica e de moluscos. Outras coleções, como a etnográfica e a arqueológica, foram sendo enriquecidas como resultado de coletas, permutas ou compras. Destacam-se as peças arqueológicas vindas, por permuta, dos Museos de La Plata e de Buenos Aires, e do Imperial Museu de Viena, e o extenso material mineralógico, paleontológico e arqueológico adquirido do Musée de Limur (Vannes, França), em 1913.

Em janeiro de 1896 foi publicado o primeiro número da Revista do Museu Paulista, publicação esta que também era um dos grandes interesses de Hermann Friedrich Albrecht von Ihering. Este primeiro número, correspondente ao ano de 1895, teve uma marca bastante personalista do diretor da instituição. Primeiro, por apresentar, junto à capa da publicação, seu currículo, retratando sua carreira e os contatos internacionais, e também pelo fato de que dos dez artigos publicados, oito eram de sua autoria. Nos exemplares seguintes, a Revista do Museu Paulista publicou inúmeros artigos de naturalistas europeus, em seus idiomas de origem, e também de cientistas nacionais, embora em menor número. Hermann Friedrich Albrecht von Ihering foi responsável por 40% dos artigos publicados pela revista da instituição, nos quais privilegiou o tema da zoologia. Publicou, em quase todos os números da revista, matérias nas quais apresentava um balanço das atividades da instituição, e sobre a organização e o crescimento das coleções. Foi editor da Revista do Museu Paulista de 1895 a 1914, e nestes nove volumes de publicação foram publicados 128 artigos, nas áreas de zoologia e paleozoologia (55%), etnografia e arqueologia (11%), listas de intercâmbios bibliográficos e bibliografias comentadas sobre ciências naturais (12,5%), informações sobre a instituição (8,6%), biografias e necrológicos (5,5%), botânica (3,1%), geografia (1,5%), viagens (1,5%), geologia (0,7%), e história (0,7%).

Maria Margaret Lopes (2001) destaca que, no final do século XIX e início do XX, foram estabelecidas relações entre naturalistas que tiveram importante papel no processo de consolidação das ciências paleontológicas no Brasil e na Argentina, destacando-se a cooperação científica entre Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, então diretor do Museu Paulista, e Florentino Ameghino (1854-1911), referência na paleontologia sul-americana de mamíferos:

“Sua participação nessa controvérsia envolvendo Ameghino e os pesquisadores norte-americanos se deu exatamente por sua estreita colaboração com o argentino na classificação dos moluscos fósseis da Patagônia. Esse estudo permitiu-lhe, graças também ao intercâmbio que manteve com os museus do Chile, da Austrália e Nova Zelândia, construir suas teorias sobre as pontes continentais, propondo uma reconstrução paleogeográfica dos modernos continentes sul-americano, africano e australiano, em sua obra Archhelenis and Archinotis, publicada em Leipzig, no ano de 1907 (Lopes e Figueirôa, 1994). Entre 1896 e 1921, Ihering descreveu e classificou 352 novos moluscos fósseis — incluindo gêneros, subgêneros, espécies e subespécies — do terciário ao pleistoceno do sul da América do Sul (Parodiz, 1996)” (LOPES, 2001).

 

 

 

 

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering também manteve intercâmbio com outros cientistas e estabelecimentos estrangeiros, como o Musée de Paris, o British Museum, o National Museum of Natural History e a Smithsoniam Institution.

Em 1901, Hermann Friedrich Albrecht von Ihering nomeou para a vice-diretoria de custos, do Museu Paulista, seu filho Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering. Nomeou, também nesta época, Ernest Garbe como naturalista-viajante da instituição. Este inclusive, ao lado de Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, foi responsável pela ampliação e pela especialização das coleções existentes naquela instituição. A vasta rede de relações mantidas pelo zoólogo alemão em toda a América do Sul propiciou o aumento de peças para a instituição, seja por compra ou por permuta. As doações também foram significativas durante sua gestão, pois muitos dos cientistas estrangeiros com os quais estabeleceu intercâmbios não só estudaram as coleções existentes no Museu Paulista, como também doaram acervos relevantes.

Neste período mereceu destaque o estudo de Hermann Friedrich Albrecht von Ihering a respeito das coleções trazidas por Ernest Garbe da região do Rio Juruá na Amazônia. Uma outra pesquisa importante foi sobre as vespas, de autoria de Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering, a qual resultou num artigo intitulado “As vespas sociaes do Brazil”, que foi publicado na Separata da Revista do Museu Paulista (v.6, 1904) e enviado à Société Entomologique de France. Sua associação com Ernest Garbe e João Lima possibilitou a ampliação da coleção de aves do Museu Paulista.

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering foi considerado o responsável pelo desenvolvimento da ornitologia paulista, pois foi a partir de seu trabalho, à frente do Museu Paulista, que esta especialidade “começou a ganhar contornos próprios” (SILVA, 2006). Vários outros setores foram desenvolvidos à época de sua gestão, como o de arqueologia, ampliado com a compra de 180 exemplares escolhidos da coleção Balbino de Freitas (do Museu Nacional), o de mineralogia e o de antropologia.

Em 1907 publicou a obra “Aves do Brazil”, juntamente com seu filho, Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering. Esta obra apresentava uma introdução apresentando um sumário da exploração ornitológica no Brasil, com suas faunas regionais. Disponibilizava mapas, sendo um sobre a distribuição das florestas e campos na América do Sul, e outro sobre zonas zoogeográficas do Brasil e suas subdivisões. Nesta publicação havia a enumeração de 400 gêneros, 1567 espécies, e 213 sub-espécies, das quais 1102 estavam representadas no Museu paulista por 6964 espécimes. O nome técnico de cada espécie do Catálogo estava indicado seguido por uma referência do volume e página no Catálogo de Aves do British Museum, onde estavam descridas, por seu nome vernacular, por citações de referências, por informe da distribuição geográfica, e por uma lista de localidades representadas por espécimes do Museu Paulista. Apresentava, também, um apêndice com a reimpressão das descrições de quatro espécies de beija-flores descritas pelo médico e naturalista Emílio Joaquim da Silva Maia, em 1843 e 1852. Dispunha de índices alfabéticos para nos nomes científicos e vernaculares.

Em sua obra “Archhelenis und Archinotis: Gesammelte Beiträge zur Geschichte der Neotropischen Region”, publicada em 1907, Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, fundamentando-se em pesquisa paleontológica de coleções de fósseis brasileiros e sul-americanos, compreendeu que tinham sido antigas as conexões entre a América do Sul, a África e a Antártica. É considerado um dos predecessores da Teoria da Deriva Continental, e nesta obra afirmou que “Archhelenis teria sido um continente formado pela América Meridional e a África, e Archinotis, pela parte sul da América do Sul e a Antártica” (LOPES, 2002-2003, p.29).

Em 1909 Hermann Friedrich Albrecht von Ihering adquiriu, com recursos particulares, uma área de mata atlântica, na região de Santo André (São Paulo), e transformou-a em uma estação biólógica, objetivando a preservação de florestas e campos nativos. Em 1912 esta estação foi comprada pelo Governo do Estado de São Paulo. Era conhecida, na época, como Parque Cajuru e Estação Biológica, e localizava-se numa extensão de terra entre as estações ferroviárias de Campo Grande e Alto da Serra, próximo à Vila de Paranapiacaba. Sua área foi ampliada com doação e aquisição de outras glebas, e em 1982 passou a ser denominada Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba (ROCHA, 2001).

Descreveu, em 1912, as abelhas sem ferrão, Frieseomellita, gênero da família Meliponini.

Em 1915 foi afastado do cargo de Diretor do Museu Paulista. Alguns atribuem tal afastamento ao fato de terem sido encontradas uma série de irregularidades à época de sua gestão, e outros se referem ao surgimento de polêmicas entre cientistas nacionais e estrangeiros, que teriam envolvido diretores, de origem alemã, de museus brasileiros, como Hermann Friedrich Albrecht von Ihering e Marie Emilie Snethlage, esta do Museu Nacional. Segundo Maria von Ihering de Azevedo, na realidade trataram-se de injustiças e calúnias, das quais von Ihering foi defendido pelo advogado Dr. Abrão Ribeiro, que teria lhe restituído o respeito e a honra (AZEVEDO, 2000).

Recebeu, em seguida, diversos convites de museus e universidades fora do Brasil. Foi para o Chile e depois para a Argentina, onde contribuiu com o Museo de Historia Natural de La Plata e lecionou zoologia na Universidad de Córdoba.

Ainda na Argentina, prosseguiu com suas pesquisas na área da arqueologia e da antropologia. Em 1924, quando retornou para a Alemanha, doou, ou vendeu (LOPES, 2001), ao Museo de Buenos Aires, sua coleção de moluscos fósseis, a qual em parte havia sido reunida juntamente com o paleontólogo argentino Florentino Ameghino (1854-1911). Já na Alemanha, tornou-se professor honorário de zoologia e paleontologia na Universität Giessen (AZEVEDO, 2000).

Hermann Friedrich Albrecht von Ihering dedicou muitos estudos a fósseis moluscos, aos pássaros, à etnologia. Foi, na passagem do século XIX para o XX, um dos principais teóricos sobre a relação entre evolução e paleogeografia (IHERING, 2006).

Participou de inúmeras sociedades científicas, brasileiras e estrangeiras, tendo sido sócio honorário da Sociedade Antropológica Italiana, da Sociedade Geográfica de Bremen, da Sociedade Antropológica de Berlim, da Academia de Ciências de Filadélfia, da Sociedade de Naturalistas de Moscou, da Sociedade Entomológica de Berlim, do Museu Etnológico de Leipzig e da Sociedad Científica de Chile, e acadêmico correspondente da Academia Nacional de Ciências (Córdoba, Argentina).

É patrono da cadeira nº 14 da Academia Lítero-Cultural Taquarense, fundada em 1996 na cidade de Taquara (Rio Grande do Sul).

Em 1958 o Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul criou a publicação “Iheringia, Série Botânica”, como uma homenagem a Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, por seu importante trabalho no campo das ciências naturais.

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PRODUÇÃO INTELECTUAL

- “Coletanea Ihering”. [s.l.], [s.n.], 1875.
- “Zur Physiologie und Histologie des Centralnervensystems von Helix pomatia”. Gesellschaft der Wissenschaften und der Georg-Augusts-universität zu Göttingne, p.361-366, jan. 1876.
- “Sur les relations naturelles des cochlides et des ichnopodes”. Sparata de Bulletin Scientifique, t. 23, p.148-257, 1891.
- “On the ancient relations between New Zealand and South América”. Transactions and Proceedings of the New Zealand Institute, 24, p.431-445, 1891.
- “Descripção e anatomia de Peltella”. Arquivos do Museu Nacional, Rio de Janeiro, v.8, p.135-153, 1892.
- “As árvores do Rio Grande do Sul”. Annuario de Graciano A. de Azambuja, VIII, p.166, 1892.
- “Relatório apresentado ao digno Secretario do Interior Dr. Cesário Motta Junior, pelo Director do Museu Dr. H. von Ihering”. São Paulo: Museu Paulista, 1894.
- “História do Monumento do Ypiranga e do Museu Paulista”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.I, p.9-15, 1895.
- “A Civilização pré-histórcia do Brasil Meridional”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.I, p.34-159, 1895.
- “O Museu Paulista no anno de 1896”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.II, p.6, 1897.
- “Os molluscos dos terrenos terciarios da Patagonia”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.II, p.217-382, 1897.
- “Os camarões de água doce do Brasil”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.II, p.421-432, 1897.
- “O Museu Paulista no anno de 1897”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.III, 1898.
- “As Aves do Estado de São Paulo”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.III, p.113-476, 1898.
- “Die Conchylien der patagonischen Formation. Neues Jahrbuch für Mineralogie Geologie und Paläontologie”. Stuttgart, II, p.1-46, 1899.
- “As Aves do Estado do Rio Grande do Sul”. Anuário do Estado do Rio Grande do Sul para o anno de 1900. Porto Alegre, 1900. p.113-154.
- “The history of neotropical region”. Science, 12, p. 857-864, 1900.
- “O Museu Paulista no anno de 1898”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.IV, 1900.
- “O Museu Paulista no anno de 1899 e 1900”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.V, 1902.
- “Contribuições para o conhecimento da ornitologia de São Paulo”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.V, p.261-329, 1902.
- “O Museu Paulista no anno de 1901 e 1902”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VI, 1904.
- “Os Guayanãs e Caingangs de São Paulo”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VI, p.23-44, 1904.
- “As Aves do Paraguay em comparação com as de São Paulo”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VI, p.310-384, 1904.
- “Arqueologia Comparativa do Brasil”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VI, p.519-583, 1904.
- “ The Anthropology of the State of S. Paulo, Brazil, by H. von Ihering; Written on the occasion of the Universal Exhibition of S. Luiz”. Louisiana Purchase Exposition (1904 : Saint Louis, Mo.). São Paulo: Typographia do "Diario Official", 1906.
- “O Museu Paulista no anno de 1903 a 1907”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VII, 1907.
- “A antropologia do Estado de São Paulo”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VII, p.203-257, 1907.
- “A organização actual e futura dos Museus de História Natural”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VII, p.431-449, 1907.
- “Les Mollusques fossiles du Tertiaire et du Cretace supérieur de l'Argentine”. Anales del Museo Nacional de Buenos Aires, Buenos Aires, 14, série III, tomo VII, p.1-611, 1907.
- “Catalogos da Fauna Brazileira: As aves do Brazil”. Por Hermann von Ihering e Rodolpho von Ihering. São Paulo: Museu Paulista, 1907.
- “Aves do Brazil”. Por Hermann von Ihering e Rodolpho von Ihering. São Paulo: Diário Official, 1907.
- "Archhelenis und Archinotis: Gesammelte Beiträge zur Geschichte der Neotropischen Region”. Leipzig: Verlag von Wilhelm Engelmann, 1907.
- “História da fauna marinha do Brazil e das regiões visinhas da América Meridional”. São Paulo: Museu Paulista, 1908.
- “Léxico comparativo nas línguas Notobotocudo e Caingang. Região do Tibagy. PR. Brasil.” 1907.
- “Die entstchungsgeschichte der fauna der neotropischen region”. Wien, 1908.
- “Os machados de pedra dos índios do Brasil e o seu emprego nas derrubadas de mato”. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, São Paulo, XII, (1907), p.426-433, 1908.
- “Some Notes on Malacological Nomenclature”. Hermann von Ihering, Wm. H. Dall, and C. W. Stiles. Science, 22, p.825-828, may, 1908.
- “As Cabeças Mumificadas pelos Índios Mundurucus,” reprinted from the Revista do Museu Paulista, 1908.
- “Os mamíferos do Brazil Meridional”. São Paulo: Typographia do “Diário Official”, 1910.
- “O Museu Paulista nos annos de 1906 a 1909”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VIII, p.1-22, 1911.
- “Os Botocudos do Rio Doce”. Revista do Museu Paulista, v.VIII, p. 39-54, 1911.
- “Os amphibios do Brazil. 1ª. Ordem: Gymnophiona”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VIII, p.89-111, 1911.
- “A questão dos índios do Brasil”, Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VIII, p.112-140, 1911.
- “Bibliographia 1908-1910 – Antropologiae Zoologia do Brazil”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.VIII, p.501-560, 1911.
- “Die umwandlungen des americanischen kontinentes wahrend der tertiaezeit mit I tafel”. Stuttgar: E. Schweizerbart sche verlagsbuchhandlung 1911.
- “Phylogenie der honigbienen”. [1911].
- “Os Botocudos do Rio Doce”. Journal de la Société dês Américanistes de Paris, Paris, nº spécial, p. 434-436, 1912.
- "A ethnographia do Brasil meridional". In: Actas del XVII Congreso Internacional de Americanistas. Buenos Aires, 1912.
- “O Museu Paulista nos annos de 1910, 1911 e 1912”. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.IX, p.5-24, 1914.
- “Proteção às aves”. São Paulo: Typ. do “Diário Offcial”, 1914.
- “Novas contribuições para a ornithologia do Brazil”. São Paulo: Museu Paulista, 1914.
- “Molluscos”. Rio de Janeiro: Commissão de Linhas Telegraphicas Estratégicas de Matto-Grosso ao Amazonas, 1915.
- “Phylogenie und System der Mollusken”. 1922.
- “Der periodische blattevechsel der dãume im tropischen und subtropischen sudamerika”. [Leipzig: Druck von Breitkopf & Hantel, 1923].
- “Zur verbreitungsgesechichte der cicindoliden (col.)”. Berlin, [1925].
- "Die Geschichte des Atlantischen Ozeans”. Jena: G. Fischer, 1927.
- “Das Klima der tertsrzeit”. [Braunschweig, 19 ].

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FONTES

- AUTHOR data – I. Ihering , Hermann von 1850-1930. Brazil. Capturado em 11 out. 2006. Online. Disponível na Internet: http://www.zoonomen.net/bio/bioi.html
- AZEVEDO, Maria von Ihering de. Hermann von Ihering. Boletim CEO – Centro de Estudos Ornitológicos , São Paulo, n.14, p.58-66, jul. 2000. Capturado em 05 out. de 2006. Online. Disponível na Internet: http://www.ib.usp.br/ceo/bolet/bolceo14.pdf
- DESTAQUES. A Lagoa dos Patos no Século XIX: na visão do naturalista Hermann von Ihering. Capturado em 11 out. 2006. Online. Disponível na Internet:
http://www.useb.com.br/busca_resultado.asp?buscar_livro=ihering&imageField3.x=15&imageField3.y=10
- ELIAS, Maria José. Um museu para São Paulo. Anais do Museu Histórico Nacional . Rio de Janeiro: Ed. Comemorativa dos 75 anos da fundação do Museu Histórico Nacional, v. 29, p. 109-121, 1997. (BN)
- FUNDAÇÃO ZOO BOTÂNICA. RS. Iheringia, Série Botânica. Capturado em 11 out. 2006. Online. Disponível na Internet: http://www.fzb.rs.gov.br/publicacoes/iheringia-botanica/
- FIGUEIRÔA, Silvia Fernanda de Mendonça. As Ciências Geológicas no Brasil: uma história social e institucional 1875-1934. São Paulo: HUCITEC, 1997. (BCOC)
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FICHA TÉCNICA

Pesquisa - Lucilia Maria Esteves Santiso Dieguez, Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Redação - Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Revisão - Maria Rachel Fróes da Fonseca.

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