Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)

 

 

FACULDADE DE FARMÁCIA E ODONTOLOGIA DO CEARÁ

Denominações: Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará (1916); Faculdade de Farmácia e Odontologia da Universidade do Ceará (1954); Faculdade de Farmácia e Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Ceará (1965)

 

 

HISTÓRICO
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO
FONTES
FICHA TÉCNICA

 

 

 

 

 

 

HISTÓRICO

A iniciativa de fundar uma instituição de ensino médico na capital do Estado do Ceará partiu de um grupo de médicos, dentistas e farmacêuticos, tendo à frente o cearense Francisco de Sá Roriz, diplomado em odontologia no ano de 1912 pela então Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Inicialmente, o objetivo era a criação de uma faculdade de medicina, mas devido à escassez de recursos decidiu-se pela Faculdade de Farmácia e Odontologia. Depois de reuniões consecutivas no consultório dentário de Raymundo Gomes, a instituição foi fundada no dia 12 de março de 1916. Nesta época, na região norte e nordeste, já havia sido criadas a Escola de Farmácia do Pará e Escola Livre de Odontologia do Pará; Escola de Farmácia de Pernambuco e a Escola de Odontologia de Pernambuco. Nas cidades de Salvador e do Rio de Janeiro, desde o século XIX, já existiam os cursos de farmácia e de odontologia que funcionavam anexos à Faculdade de Medicina da Bahia e à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

A aula inaugural da Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará versou sobre anatomia, sendo proferida por Sá Roriz na sede do Centro Espírita Cearense, situado na rua Major Facundo, contando apenas com dois alunos.

No mês seguinte à sua fundação, foi apresentado o projeto do regulamento redigido e aprovado pelo diretor Francisco de Sá Roriz. Este determinava que a instituição se espelhasse nas leis e regulamento do Governo Federal, além de organizar uma clínica dentária gratuita para atendimento aos pobres e também para aprendizado dos alunos, dirigida por um lente de clínica. A diretoria era composta por um diretor, um vice-diretor, um secretário, um tesoureiro e um bibliotecário, eleitos por dois anos pela Congregação, formada pelos lentes e substitutos em exercício. O ingresso dos alunos era feito mediante exame vestibular.

Os cursos tinham duração de dois anos cada, sendo constituídos pelas seguintes disciplinas:

Farmácia:

1ª série: história natural, química inorgânica, física e farmacologia;

2ª série: química orgânica, química analítica e arte de formular.

Odontologia:

1ª série: anatomia descritiva da cabeça, histologia, fisiologia e patologia dentária;

2ª série: anatomia médico-cirúrgica, higiene da boca, clínica odontológica e prótese dentária.

De início, o corpo docente ficou constituído por seus fundadores: os farmacêuticos Affonso de Pontes Medeiros, Joaquim Frederico Rodrigues de Andrade e José de Morais Studart; e os odontólogos Francisco de Sá Roriz, Raymundo Gomes, Pedro Veríssimo de Araújo, Américo de Marães Picanço, Mozart Catunda Gondim e Mamede Cirino de Lima. Mais tarde, os médicos José Odorico de Moraes, Raymundo Leopoldo Coelho de Arruda e o naturalista Francisco Dias da Rocha também se envolveram na organização da instituição. Este último, embora não fosse diplomado médico, era entomologista e naturalista cearense reconhecido nacionalmente; e por isso lhe foi concedido o diploma de farmacêutico pela instituição, que o admitiu como professor catedrático de História Natural. Durante o período inicial de funcionamento da Faculdade, esses professores abriram mão de seus vencimentos para aplicação na compra de material necessário para o desenvolvimento dos estudos. Além disso, destacaram-se as doações feitas por Francisco Dias da Rocha, de seu Museu de História Natural, formado por animais empalhados, classificados e fichados; e pelo farmacêutico Juarez Furtado, que, ao se desfazer de seu estabelecimento comercial, a Farmácia Amazonas, transferiu suas instalações para a Faculdade, incluindo materiais e substâncias para laboratório.

Ainda em 1916, a diretoria requereu à Assembléia Legislativa cearense que a instituição fosse reconhecida como de utilidade pública para efeitos jurídicos. Pelo parecer n° 57 de 23/09/1916, lhe foi concedido tal reconhecimento pela Comissão de Instrução Pública, que considerou a instituição merecedora de apoio do governo estadual. Foi decretada então a lei n° 1.391 de 2 de outubro do mesmo ano, pela qual foi autorizado o governo do Estado a reconhecer como de utilidade pública a "Faculdade de Pharmácia, Odontologia e Curso de Parto do Ceará". Embora presente na denominação do estabelecimento, o Curso de Parto não chegou a funcionar naquela época.

A partir de então, o número de matrículas se ampliou, com a Faculdade passando a receber estudantes dos Estados vizinhos. Visando o reconhecimento oficial de seus diplomas, a instituição solicitou a fiscalização do governo do Estado, que lhe foi concedida pela lei n° 1.458 de outubro de 1917. Neste mesmo ano, em dezembro, formou sua primeira turma com quatro odontólogos e oito farmacêuticos.

Quanto às suas instalações, mudou diversas vezes de endereço desde sua fundação até 1923, quando obteve sede própria, situada na rua Barão do Rio Branco, adquirida do Club Iracema.

A primeira diretoria ficou assim constituída: Francisco de Sá Roriz (diretor); Mozart Catunda Gondim (primeiro secretário); Pedro Veríssimo de Araújo (segundo secretário); Raymundo Gomes (tesoureiro); e Mamede Cirino de Lima (bibiotecário).

Diretores:

Francisco de Sá Roriz (1916-1918); Raymundo Leopoldo Coelho de Arruda (1918- 1920); Affonso de Pontes Medeiros (1920-1922); José Odorico de Moraes (1922- 1923 e 1940-1943); José Nelson Catunda (1923-1924); Carlos da Costa Ribeiro (1924-1925); Raymundo Gomes (1925-1927 e 1948-1949); Amadeu Furtado (1927-1929, reeleito 1929-1931); Raymundo Leopoldo Coelho de Arruda (1931-1933, reeleito 19/03/1934-agosto 1934, quando faleceu, ocupando seu lugar o vice-diretor Francisco Dias da Rocha); Américo de Marães Picanço (1936-1939).

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ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO

Em 1919, seu corpo docente foi ampliado e os cursos passaram a constar de três séries.

Farmácia:

1ª série: física médica, química geral e mineral, botânica sistemática e criptogâmica, e microbiologia;

2ª série: química orgânica e biológica, zoologia geral e parasitologia, farmácia galênica e higiene geral;

3ª série: terapêutica, matéria médica e arte de formular, farmácia química, química toxicológica e bromatológica, e química analítica.

Odontologia:

1ª série: anatomia humana, médico-cirúrgica da boca e suas dependências, histologia da boca e suas dependências, fisiologia geral, fisiologia da boca e órgãos anexos, e microbiologia;

2ª série: patologia geral, anatomia patológica e patologia cirúrgica aplicada, clínica odontológica (1ª parte), prótese dentária, terapêutica, matéria médica e arte de formular;

3ª série: clínica odontológica (2ª parte), prótese dos maxilares, terapêutica dentária e higiene da boca, higiene geral e técnica odontológica.

Dentre os novos professores que ingressaram na instituição durante este período, destacaram-se: os farmacêuticos Tertuliano Vieira e Sá, Heribaldo Costa, João Octávio Lobo; e os cirurgiões-dentistas Raymundo Bezerra, Pedro Sidrim e Demócrito Rocha.

Em junho de 1925, foi criado um curso anexo à Faculdade por decisão de sua Congregação e com o consentimento do governo do Estado. Este tinha duração de dois anos constando das seguintes matérias: português (dois anos), francês (dois anos), aritmética, geometria, geografia, corografia e cosmografia, física, química e história natural. No entanto, o mesmo foi extinto em 1931.

Com a Revolução de 1930, durante a gestão de Amadeu Furtado, a instituição perdeu a fiscalização estadual, havendo assim um esvaziamento da Faculdade. Foram introduzidas então novas cadeiras, como farmacognosia, ministrada pelo médico José Leite Maranhão, além de anatomia, fisiologia, zoologia e higiene. As instalações da Faculdade foram ampliadas, sendo criados gabinetes dentários e laboratórios farmacêuticos (farmácia galênica e farmácia química), visando atender as exigências do ensino de seus cursos e viabilizando a assistência odontológica gratuita aos pobres. Criou-se ali ainda uma pequena farmácia-escola. O antigo prédio, sede do Clube Iracema, também passou por reformas que foram coordenadas pelo engenheiro Alberto Sá, com auxílio de verba federal.

Estas modificações tinham a finalidade de adaptar o currículo às novas exigências da reforma de ensino Francisco Campos, regulamentada pelos decretos nº 19.851 e 19.852 de 11/04/1931, visando a equiparação às escolas oficiais.

No entanto, somente pelo decreto n° 5.205 de 31/01/1940, foi concedida a equiparação à instituição, que obteve reconhecimento oficial. Neste mesmo ano, a Faculdade diplomou apenas cinco odontólogos, refletindo as dificuldades por que passou no período pós 1930, quando muitos dos seus alunos transferiram-se para escolas dos Estados vizinhos.

A partir da equiparação, foram designados para fiscais em regime definitivo, consecutivamente, o farmacêutico Leopoldo Serra, Eunice Caminha e Thuribio Mota. Este último permaneceu até 1950, quando a instituição foi federalizada. Através do decreto n° 833 de 20/12/1947, complementado pela lei n° 256 de 02/08/1948, a Escola foi encampada pelo Estado, no governo de Faustino de Albuquerque.

Pela lei n° 1.254 de 04/12/1950, a Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará passou a integrar o Sistema Federal do Ensino Superior, sendo mantida pela União. Com o aumento dos estabelecimentos superiores federais no Estado, pela lei n° 2.373 de 16/12/1954, foi criada a Universidade do Ceará, quando a referida Escola foi incorporada como uma de suas unidades. Somente em 1965, a instituição foi desmembrada em duas unidades distintas, constituindo a Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Ceará e a Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Ceará.

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FONTES

- MARANHÃO, Leite. Resenha histórica. In: UNIVERSIDADE DO CEARÁ.FACULDADE DE FARMÁCIA E ODONTOLOGIA. Anais. Tomo I. Fortaleza: Imprensa Universitária, [1963]. (CCS – UFRJ)
- FARIAS SOBRINHO, José Ribeiro. 140 anos do ensino farmacêutico no Brasil: 1832-1972. João Pessoa: ESLF, 1973. (BCOC)

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FICHA TÉCNICA

Pesquisa - Verônica Pimenta Velloso
Redação - Verônica Pimenta Velloso
Revisão - Francisco José Chagas Madureira.

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