Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)

 

 

ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA E MEDICINA VETERINÁRIA

Denominações: Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (1910); Escola Nacional de Agronomia (1934); Escola Nacional de Veterinária (1934); Escola Nacional de Agronomia da Universidade do Brasil (1937); Escola Nacional de Veterinária da Universidade do Brasil (1937); Escola Nacional de Agronomia da Universidade Rural (1943); Escola Nacional de Veterinária da Universidade Rural (1943); Escola Nacional de Agronomia da Universidade Federal Rural do Brasil (1963); Escola Nacional de Veterinária da Universidade Federal Rural do Brasil (1963); Escola Nacional de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1965); Escola Nacional de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1965); Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1968); Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1968)

 

 

HISTÓRICO
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO
PUBLICAÇÕES OFICIAIS
FONTES
FICHA TÉCNICA

 

 

 

 

 

 

HISTÓRICO

No Brasil, ainda durante o período regencial de D. João VI, pelo decreto de 31/01/1818, João Baptista Moncouet, "artista veterinário", foi nomeado para ocupar o cargo de "alveitar", tendo a "obrigação de criar uma aula desta arte" (alveitar – curandeiro que cuida das doenças dos animais ou que faz ferraduras). O interesse pelo ramo da medicina veterinária seria reforçado a partir das descobertas do cientista francês Louis Pasteur (1822-1895) que revolucionou a medicina em geral, principalmente em relação à etiologia, atribuindo as causas das doenças aos micróbios. Os animais então tornaram-se elementos importantes nas pesquisas sobre os micróbios e na elaboração de vacinas.

Durante o ano de 1908, na falta de uma Escola de Veterinária, o governo brasileiro solicitou ao Instituto Pasteur, na França, sob a direção de Pierre Paul Émile Roux, a indicação de dois médicos veterinários para orientarem os estudos de instalação de um curso prático. Foram enviados então, a 10 de maio daquele ano, os veterinários Tenente-coronel Antoine Dupy e Capitão Paul Ferret, que integraram a primeira Missão Militar Francesa, que se estendeu até 1911. Dois anos mais tarde, pelo decreto nº 2.232 de 06/01/1910, que regulamentou a nova organização do Serviço de Saúde do Exército, foi autorizada a criação de uma Escola de Veterinária do Exército como um dos seus órgãos (art. 5°).

Paralelamente a este interesse pela medicina veterinária, o ensino da agronomia já vinha sendo ministrado no país desde o século XIX, através da Imperial Escola Agrícola da Bahia (1875), da Imperial Escola de Medicina e Veterinária e de Agricultura Prática, em Pelotas (Rio Grande do Sul, 1883) e da Escola Agrícola Prática de Piracicaba (São Paulo, 1900). Antes disso, se teve notícia pelo decreto nº 15 de 01/04/1838 da criação de uma escola de agricultura na Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, então capital do Império. Essa escola tinha como objetivos o ensino da botânica e o aperfeiçoamento da agricultura no país (TORRES, 1926).

De acordo com o decreto nº 8.319 de 20/10/1910, que criou o ensino agronômico e aprovou o seu regulamento, este seria instituído pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, tendo por fim a instrução técnica profissional relativa à agricultura e às indústrias correlativas, compreendendo o ensino agrícola, de medicina veterinária, zootecnia e indústrias rurais (art. 1º). O ensino agrícola era dividido em: ensino superior; ensino médio ou teórico-prático; ensino prático; aprendizados agrícolas; escolas especiais de agricultura; escolas domésticas agrícolas; cursos ambulantes; cursos conexos com o ensino agrícola; consultas agrícolas; e conferências agrícolas (art. 2º). Os estabelecimentos em que o ensino era ministrado variava conforme os seus fins: estações experimentais; campos de experiência e demonstração; fazendas experimentais; estações de ensaio de máquinas agrícolas; postos zootécnicos; e postos meteorológicos (art. 3º). Nesse quadro, o ensino superior agrícola seria ministrado junto com o de medicina veterinária na denominada Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, que funcionaria no Distrito Federal. Formada por dois cursos distintos - o de engenheiros agrônomos e o de médicos veterinários -, o objetivo do primeiro era "promover o desenvolvimento científico da agricultura, pela preparação técnica de profissionais aptos para o alto ensino agronômico, para os cargos superiores do Ministério, e para a direção dos serviços inerentes à exploração racional da grande propriedade agrícola e das indústrias rurais"; enquanto o segundo era "destinado a constituir um corpo de profissionais para o exercício da medicina veterinária e do magistério, nos cursos da referida especialidade e para as funções oficiais que com ela se relacionarem" (arts. 6º e 7º).

Segundo a historiadora Sônia Regina de Mendonça (1998), a trajetória da Escola esteve estreitamente vinculada ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Criado em 1909 por iniciativa da Sociedade Nacional de Agricultura, o Ministério tinha por fim a modernização de todos os setores agrícolas. Dentro desta perspectiva, o serviço de ensino agronômico desempenharia papel fundamental nessa modernização, seguindo o modelo norte-americano. O controle do Ministério era disputado por dois grupos pertencentes a frações da classe dominante. Um deles constituído por representantes da grande burguesia paulista e o outro, por representantes da Sociedade Nacional de Agricultura. A predominância do grupo paulista na sua fase inicial tentou "impor e difundir nacionalmente os padrões de modernização e cientifização da agricultura" estabelecidos e testados pela administração estadual paulista no século XIX. Neste período, o monopólio da preparação de agrônomos no país coube à Escola Agrícola Prática "Luiz de Queiroz" . A partir de 1913, a Sociedade Nacional de Agricultura começou a ter uma interferência maior na condução da pasta, defendendo a "vocação eminentemente agrícola do país" e a inclusão de diferentes segmentos de proprietários rurais, promovendo a ampliação e a diversificação da produção mercantil dos setores agrícolas. Excluía, assim, o café como matéria da gestão ministerial. Essas mudanças de diretrizes do Ministério exerceriam influências significativas sobre o funcionamento da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, principalmente durante os anos de 1910.

A Escola foi inaugurada no dia 10 de julho de 1912, entrando em funcionamento no ano seguinte com 60 alunos matriculados, dos quais 52 no curso de engenheiros agrônomos e oito no curso de médicos veterinários. Foram nomeados os primeiros lentes e substitutos para as seguintes cadeiras: física experimental - Arthur do Prado (catedrático) e Pedro Barreto Galvão (substituto); química mineral – José de Freitas Machado (catedrático) e Pedro Augusto Pinto (substituto); botânica – Graciano dos Santos Neves e Ezequiel Cândido de Souza Brito; zoologia – Cândido Firmino de Mello Leitão Júnior e Gustavo Eduardo Hasselmann; química orgânica e biologia – Renato Souza Lopes (catedrático) e Othon Drummond Furtado de Mendonça; curso especial de engenheiros agrônomos – Sebastião Sodré da Gama; desenho – Thomaz Cavalcanti de Gusmão. Para conservadores de gabinete foram nomeados Clodoaldo Pereira Devoto (zoologia); João Antunes Guimarães (química orgânica); Antônio de Araújo Bastos (botânica); e Guilherme Pinto Bravo (física).

Por ocasião de sua inauguração, o primeiro diretor Gustavo Rodrigues Pereira D’Utra, representante do grupo paulista, proferiu discurso enfatizando o seu papel de formadora de "proprietários competentes":

"A Escola Superior de Agricultura [e Medicina Veterinária] vem satisfazer a uma imperiosa necessidade do nosso tempo. A ciência, nos últimos tempos, revolucionou tudo, transformando os métodos errôneos, substituindo as regras absolutas ou obscuras por preceitos racionais e de imediato proveito prático. Hoje, só pode lutar com sucesso o agricultor que põe em contribuição os recursos que ela ministra. O que mais sabe é o que mais pode, e este é o que mais colhe, mais vende e mais lucro aufere de seu incessante labor" (Apud MENDONÇA, 1998, p. 126).

 

 

 


Com a ascensão do grupo da Sociedade Nacional de Agricultura na gestão do Ministério e, conseqüentemente na da Escola, a instituição se voltou mais para a formação de quadros administrativos, visando a qualificação de técnicos que se integrariam aos quadros do aparelho de Estado federal (MENDONÇA, 1998).

A sede da Escola ficou situada inicialmente no Palácio do Duque de Saxe, na rua General Canabarro, nº 42, no bairro do Maracanã, na capital federal. Entre 1913 e 1915, a Escola funcionou numa fazenda experimental em terrenos da Vila Militar, no bairro de Deodoro. Neste período, durante o ano de 1915, a Escola chegou a ser fechada por não ter sido prevista verba para sua manutenção no orçamento federal. No ano seguinte, pelo decreto nº 12.012 de 29 de março, a instituição foi transferida para a localidade de Pinheiro , no interior do Estado do Rio de Janeiro, quando a ela se juntaram a Escola Média-Teórico-Prática de Agricultura da Bahia e a Escola de Agricultura. Essa última foi criada pelo decreto nº 8.367 de 10/11/1910 e ficava anexa ao Posto Zootécnico Federal, antiga Diretoria da Indústria Animal, instituída pelo decreto nº 7.622 de 21/10/1909, e localizada em Pinheiro. Inaugurada também em 1912, no dia 21 de abril, a Escola de Agricultura teve 35 alunos inscritos, sendo que as matérias lecionadas durante o ano foram álgebra, geometria e trigonometria; desenho geométrico, à mão livre, de aquarela e paisagem; botânica; zoologia; anatomia e fisiologia dos animais domésticos; física e química mineral.

Entre 1912 e 1915, essa Escola de Agricultura formou inúmeros agrônomos que, devido à demora da implantação da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, os seus diplomas acabaram sendo reconhecidos pelo Ministério como de engenheiros agrônomos. Logo, de acordo com a documentação oficial da Escola Superior de Agricultura e de Medicina Veterinária, as suas primeiras turmas diplomadas em 1914 e 1915, formaram-se pela Escola de Agricultura. Isto porque, o Ministério precisava dar provas de seu bom funcionamento aos seus opositores, porta-vozes da burguesia paulista (MENDONÇA, 1998). Somente no ano de 1916, a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária diplomou os dois primeiros engenheiros agrônomos e no ano seguinte, os quatro primeiros médicos veterinários.

A partir de 1918, pelo decreto nº 12.894 de 28 de fevereiro, sua sede foi transferida para a antiga capital do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, em prédios e terrenos doados ao Governo Federal. As práticas agrícolas seriam realizadas no Horto Botânico, em anexo. A nova sede situada na Alameda São Boaventura, ficava mais próxima geograficamente da capital federal. A distância de cerca de 130 km que separavam a sua antiga sede em Pinheiros, da capital federal, dificultava e encarecia o acesso de pessoal e de material, prejudicando o funcionamento da instituição e reduzindo a freqüência de alunos. Durante o ano de 1921, foram iniciadas as montagens de alguns laboratórios e gabinetes, entre os quais os de zoologia agrícola, toxicologia, higiene e desenho; e previstas a instalação dos gabinetes de zootecnia especial, inspeção de carnes e leite, anatomia patológica, psicopatologia, e a conclusão do aparelhamento do gabinete de topografia (RELATÓRIO..., 1921).

Entre os anos de 1924 e 1925, o Presidente da República, Arthur Bernardes, em suas mensagens, comentou sobre o fato de a Escola até então não ter atingido aqueles objetivos previstos na sua legislação. Considerando sua organização "defeituosa", destacou a precariedade de suas instalações que não dispunham de "terreno suficiente para campos de experiência e demonstrações, elemento imprescindível à eficiência do ensino agronômico, que consoante a moderna orientação pedagógica, deve ser essencialmente experimental" (Apud TORRES, 1926, p.96).

Em 1927, através do decreto nº 17.768 de 12 de abril, foi formalizada a passagem de sua sede para o prédio onde funcionou o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, na Praia Vermelha da cidade do Rio de Janeiro, capital federal.

Essas sucessivas transferências de sede da Escola refletiram a escassez de verbas causada, muitas vezes, pelo boicote da bancada paulista e seus aliados ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Assim, o fechamento da instituição por falta de previsão no orçamento, em 1915, foi interpretado por seus membros na época como um "golpe" ou uma "derrubada arquitetada". A sua ida em 1918 para Niterói, onde permaneceu até 1927, marcou uma fase de estabilidade, aumentando o número de alunos matriculados de 66 para 100. No entanto, na falta de instalações adequadas para suas atividades práticas, estas eram realizadas em outras repartições e seções do Ministério (MENDONÇA, 1998). Neste período, em 1924, membros do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio atribuíam o esvaziamento que vinha sofrendo a Escola "à concorrência de escolas que, sem fiscalização oficial, funcionam em várias regiões do país, distribuindo diplomas de agrônomo e veterinários" (Id., p. 132). O mesmo ocorrendo durante os anos letivos de 1926 e 1927 (RELATÓRIO..., 1926;1927).

Ainda durante o ano de 1927, em março, o Estado-Maior e o Serviço de Saúde do Exército rejeitaram uma proposta de fusão da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária com a Escola de Veterinária do Exército. Os argumentos apresentados na proposta diziam que o Governo Federal estava mantendo duas escolas com o mesmo fim. Além disso, as facilidades para a matrícula e as vantagens oferecidas na colocação dos diplomados pela escola do Exército acabariam por eliminar a Escola em questão. A proposta sugeria assim, a substituição da escola do Exército por um curso com duração de um ano de aplicação militar. Em contrapartida, propunham a continuidade da Escola do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, observando que seus professores eram reconhecidos nos centros científicos do país e do estrangeiro. Leopoldino Ouriques de Almeida, comandante da Escola de Veterinária do Exército no período, considerou desvantajosa a fusão assinalando que o Exército ao tomar a iniciativa de criar sua escola não contava com essa do Ministério da Agricultura. Argumentou que, embora a escola de Niterói tivesse um ano a mais, as cadeiras lecionadas no 1º ano eram exigidas no exame vestibular da Escola de Veterinária do Exército, e seu corpo docente também era constituído por profissionais reconhecidos.

A busca da legitimação nos campos acadêmico e político marcaria a trajetória da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Durante a década de 1920, ela se envolveu na campanha pela regulamentação da profissão de agrônomo, objetivo alcançado com a aprovação do decreto n° 23.196 de 12/10/1933. Isto implicaria na sua imposição como escola padrão oficial, tornando o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio detentor do monopólio desse reconhecimento (MENDONÇA, 1998).

Quanto à composição de sua diretoria, depois de Gustavo Rodrigues Pereira D’Utra, primeiro diretor da Escola e representante do grupo paulista, todos os seus sucessores até 1933 pertenciam ao eixo sul-nordeste, predominando os membros da Sociedade Nacional de Agricultura.

Diretores:

Gustavo Rodrigues Pereira D´Utra (1911-1914); Arthur do Prado (1915); Manoel Paulino Cavalcanti (1916); Cândido Firmino de Mello Leitão Júnior (1916-1919); Paulo Figueiredo Parreiras Horta (1919-1926); José de Freitas Machado (interino – 1920); Francisco Cassiano Gomes (interino - 1922); Miguel Ozorio de Almeida (interino -1924); Paulo da Rocha Lagoa (interino - 1924-1926); Artidonio Pamplona (1927-1933).

Corpo Docente:

Miguel Ozorio de Almeida (fisiologia dos animais domésticos); Arthur Annibal do Rego Lins (zootecnia geral e exterior dos animais domésticos); Cândido Firmino de Mello Leitão Júnior (zoologia geral e sistemática); Arthur do Prado (física experimental e meteorologia e climatologia do Brasil); Mucio Emílio Nelson de Senna (fisiologia e morfologia vegetal); Paulo Figueiredo Parreiras Horta (microbiologia); Gustavo Eduardo Hasselmann (zoologia agrícola, hidrobiologia aplicada, apicultura, sericicultura); Ângelo Moreira da Costa Lima (entomologia agrícola); Thomaz Coelho Filho (agricultura geral, agrologia e microbiologia do solo); Luiz de Oliveira Mendes (agricultura especial, silvicultura, cultura de plantas industriais, alimentares e forrageiras); Plínio de Almeida Magalhães (noções de geometria analítica e de cálculo infinitesimal, topografia e estradas de rodagem); Francisco Cassiano Gomes (química agrícola e tecnologia agrícola); e Annibal Revault de Figueiredo (botânica sistemática e fitopatologia).

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ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO

Pelo decreto nº 9.857 de 06/11/1912, foi então aprovado o regulamento da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, em separado, pelo Ministro de Estado da Agricultura, Indústria e Comércio, Pedro de Toledo. Os dois cursos por ela ministrados eram divididos, por sua vez, em fundamental e especial. O curso fundamental de engenheiros agrônomos tinha duração de um ano, sendo constituído pelas cadeiras: física experimental, meteorologia e climatologia, principalmente do Brasil; química geral inorgânica e análise química; botânica, morfologia e fisiologia vegetal; zoologia geral e sistemática; noções de geometria analítica e mecânica geral. Além destas cadeiras, constavam do programa aulas de desenho à mão livre e geométrico. Por outro lado, o curso especial tinha duração de três anos distribuídos pelas seguintes cadeiras:

1° ano: química orgânica e biológica; botânica sistemática e fitopatologia; animais úteis e prejudiciais à agricultura, entomologia agrícola e hidrofobia aplicada; mineralogia e geologia agrícolas e química agrícola; topografia e estradas, estradas de rodagem e caminhos vicinais; desenho de aquarela e topográfico.

2° ano: química vegetal e bromatológica; mecânica agrícola e máquinas agrícolas e de indústria rural; agricultura geral, culturas industriais e silvicultura; microbiologia agrícola, conservação dos produtos agrícolas e indústria frigorífica; tecnologia agrícola e industrial; desenho organográfico e de máquinas.

3° ano: agricultura especial, culturas arbustivas, horticultura, fruticultura e viticultura; zootecnia geral e especial; materiais de construção, construções rurais e hidráulica agrícola; noções de direito constitucional e administrativo; economia rural; organização comercial da agricultura; legislação agrária e florestal; contabilidade agrícola; higiene dos animais domésticos e medicina veterinária; desenho e projetos de hidráulica agrícola e construções rurais.

O ensino e os trabalhos práticos eram realizados em laboratórios e gabinetes das respectivas disciplinas. Após o curso especial, havia um ano de curso de especialização, compreendendo as seções de botânica e zoologia; física e química; agricultura e zootecnia; mecânica e construções rurais.

O curso fundamental de médicos veterinários também tinha duração de um ano, sendo constituído basicamente pelas mesmas cadeiras do curso de engenheiros agrônomos, distinguindo-se a de química orgânica. Em contrapartida, o curso especial tinha duração de quatro anos:

1° ano: física e química biológicas; anatomia comparada, principalmente dos pequenos animais domésticos; anatomia descritiva do boi e do cavalo; dissecção; histologia e embriologia;

2° ano: fisiologia; anatomia e fisiologia patológicas; terapêutica, dietética, farmacologia, farmacognosia e toxicologia; parasitologia e moléstias parasitárias;

3° ano: microbiologia e moléstias infecciosas; patologia, propedêutica, clínica médica dos grandes animais e policlínica; clínica cirúrgica, medicina operatória experimental e moléstias do pé do cavalo.

4° ano: obstetrícia e clínica obstétrica; exame dos gêneros alimentícios de origem animal e microscopia aplicada; fiscalização sanitária das carnes e dos matadouros; higiene epidemiológica, polícia sanitária e medicina legal veterinária; zootecnia geral e especial.

O ensino e trabalhos práticos eram realizados nos laboratórios do edifício da Escola, no hospital veterinário e no hospital de isolamento.

Pelos textos de seus regulamentos posteriores era enfatizado o caráter experimental do ensino ministrado, que tinha por fim capacitar o aluno no sentido de formar um critério próprio, relativo à natureza e ao desenvolvimento das explorações agrícolas e pecuárias. De acordo com Sônia Regina de Mendonça (1998), os regulamentos até 1912 receberam influência paulista, sendo voltados mais para o ensino teórico. Depois disso, o aprendizado agronômico foi se firmando como um saber aplicado, com mais dedicação dos alunos aos trabalhos de campo do que a Escola Agrícola Prática "Luiz de Queiroz", que se concentrava no ambiente de salas de aula.

Segundo o decreto nº 14.120 de 29/03/1920, a Escola era responsável pela "alta instrução profissional técnica e experimental referente à agricultura, à veterinária e à química industrial agrícola". A Escola passou então a ministrar três cursos distintos: o de engenheiros agrônomos e o de medicina veterinária, com algumas modificações, como o tempo de duração de quatro anos cada; e também o novo curso de química industrial agrícola, constituído pelas seguintes disciplinas:

1° ano: química geral inorgânica e química analítica qualitativa; 2° ano: química analítica quantitativa e química orgânica; 3° ano: (especialização) química industrial agrícola, compreendendo a tecnologia, as aplicações da química, e as análises e os trabalhos, de caráter industrial, relacionadas com a especialidade escolhida pelo aluno.

Este curso foi considerado a "célula mater da profissionalização da Química no Rio de Janeiro" (RAMOS, 1966). Já no seu primeiro ano de funcionamento, foram matriculados 18 alunos alcançando o número de 35 no ano de 1923.

Em 1925, pelo decreto nº 17.019 de 26 de agosto, foi aprovado pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio o regulamento para este curso que, segundo seu artigo 1°, tinha por fim "preparar químicos capazes de estudar as indústrias agrícolas e conexas, o comércio desses ramos de atividade e a prática agrícola, sob o ponto de vista científico de pesquisa e aplicação". O curso passou então a ter quatro anos de duração, sendo o último dedicado à especialização sobre os seguintes grupos de indústrias: fermentação; óleos; leite; amiláceos, féculas, farinhas; açúcares; alimentos nervinos; conservas alimentares; couro; destilação da madeira; análises agrícolas; salícola; ácidos; azoto; celulose e corantes.

Quanto às cadeiras, foram acrescentadas as de física experimental, noções de mineralogia, noções de química biológica, química industrial inorgânica e orgânica, química analítica aplicada, físico-química e eletroquímica.

Devido a esta nova organização, através do decreto nº 19.490 de 16/12/1930, o curso anexo passou a denominar-se Curso de Química Industrial.

Em 1933, pelo decreto nº 22.338 de 11 de janeiro, foi dada nova organização aos serviços do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, que ficou constituído pelas Diretorias Gerais de Agricultura, de Pesquisas Científicas e de Indústria Animal. Neste quadro, a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária tornou-se subordinada ao Gabinete do Ministro da Agricultura provisoriamente, até a execução de sua reforma. Neste mesmo ano o curso de química industrial da Escola foi extinto e pelo decreto 23.016 de 28/07/1933 criou-se a Escola Nacional de Química, que ficou subordinada ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, como um dos órgãos da Diretoria Geral de Produção Mineral.

Em 1934, pelos decretos nº 23.857 e nº 23.858, aprovados em 8 de fevereiro, a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária foi desmembrada em Escola Nacional de Agronomia, subordinada à Diretoria do Ensino Agronômico da Diretoria Geral de Agricultura, e Escola Nacional de Veterinária, subordinada à Diretoria Geral de Produção Animal. Com a criação da Universidade Técnica Federal (decreto nº 24.738 de 14/07/1934), a Escola Nacional de Química passou a integrá-la junto com outras instituições, entre as quais a Escola de Minas de Ouro Preto, o Instituto de Química Industrial e a Escola Politécnica, ficando subordinada ao Ministério da Educação e Saúde.

Pela lei nº 452 de 05/07/1937, a Escola Nacional de Química, a Escola Nacional de Veterinária e a Escola Nacional de Agronomia tornaram-se órgãos da Universidade do Brasil. No entanto, pela lei nº 453, emitida na mesma data, ficou estabelecido que as escolas de agronomia e veterinária mudariam sua denominação para Faculdade Nacional de Agronomia e Faculdade Nacional de Veterinária, devendo ficar subordinadas ao Ministério da Educação e Saúde e organizadas por leis especiais. No ano seguinte, pelo decreto-lei nº 982 de 23 de dezembro, que reorganizou o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, a Escola Nacional de Agronomia passou a integrar o Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas, e a Escola Nacional de Veterinária, do Departamento Nacional de Produção Animal, ficou subordinada diretamente ao Ministro da Agricultura. Com a reorganização do Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas (decreto nº 6.155 de 30/12/1943), foi criada a Universidade Rural como um de seus órgãos, englobando a Escola Nacional de Agronomia e a Escola Nacional de Veterinária.

Anos mais tarde, pelo decreto nº 1.984 de 1963, a Universidade Rural mudou seu nome para Universidade Federal Rural do Brasil, ficando constituída pelas escolas citadas, além das escolas de Engenharia Florestal, Educação Técnica e Educação Familiar, e pelos cursos técnicos de nível médio dos Colégios Técnicos de Economia Doméstica e Agrícola Ildefonso Simões Lopes. Em 1965, pela lei nº 4.759 de 20 de agosto, passou a denominar-se Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Em 1968, a Escola Nacional de Agronomia e a Escola Nacional de Veterinária tornaram-se cursos de graduação de agronomia e de medicina veterinária, oferecidos pelo Instituto de Agronomia e pelo Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, respectivamente.

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PUBLICAÇÕES OFICIAIS

Em setembro de 1917 foi publicado o primeiro número do periódico Archivos da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, sendo sua Comissão de Redação formada por Cândido Firmino de Mello Leitão Júnior (lente de zoologia e diretor), José de Freitas Machado (lente de química analítica), Ângelo Moreira da Costa Lima (lente de entomologia agrícola), Miguel Ozorio de Almeida (lente de fisiologia dos animais domésticos) e Maurício Campos de Medeiros (lente de anatomia patológica). Cândido Firmino de Mello Leitão Júnior, então diretor da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, afirmou, na apresentação do periódico, que a criação desta publicação obedecia às disposições regulamentares da instituição. Os Archivos da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária seriam publicados 2 vezes por ano, formando um volume, e cada número compreenderia os resultados de pesquisas originais do seu corpo docente, as revistas gerais sobre ramos científicos de interesse e uma seção de resumos bibliográficos.

Em 1919 a Comissão de Redação dos Archivos da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária ficou constituída por Paulo Figueiredo Parreiras Horta (lente de microbiologia e parasitologia, e diretor da Escola), Ângelo Moreira da Costa Lima, Miguel Ozorio de Almeida, Maurício Campos de Medeiros e Alvaro de Sá de Castro Menezes (lente de economia e estatística rural).

Em meados da década de 1920, começou a ser publicado A Natureza, "órgão de manifestação do pensamento dos alunos" (MENDONÇA, 1998).

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FONTES

- ARCHIVOS DA ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA E MEDICINA VETERINÁRIA. Rio de Janeiro, v.1, n.1, set. 1917. (BN)
- BRASIL. Decreto nº 8.319, de 20 de outubro de 1910. In: Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brazil de 1910, v.II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1913. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 9.857, de 6 de novembro de 1912. In: Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brazil de 1912, v.IV. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1919. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 12.894, de 28 de fevereiro de 1918. In: Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1918, v.II. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1919. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 14.120, de 29 de março de 1920. In: Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1920, v.II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1921. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 17.019, de 26 de agosto de 1925. In: Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1925, v.II. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1926. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 17.768, de 12 de abril de 1927. In: Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1927, v.II. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1928. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 19.490, de 16 de dezembro de 1930. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1930. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1931. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 22.338, de 11 de janeiro de 1933. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1933, v.I. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1934. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 23.016, de 28 de julho de 1933. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1933, v.III. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1934. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 23.196, de 12 de outubro de 1933. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1933, v.IV. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1934. (BCOC)
- BRASIL. Decretos nº 23.857 e nº 23.858, de 8 de fevereiro de 1934. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934, v.I. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1935. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 23.979, de 8 de março de 1934. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934, v.II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1935. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 24.738, de 14 de julho de 1934. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934, v.IV, 2ª parte. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1936. (BCOC)
- BRASIL. Decreto nº 452 e nº 453, de 5 de julho de 1937. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1937, v.III. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1938. (BCOC)
- BRASIL. Decreto-lei nº 982, de 23 de dezembro de 1938. In: Coleção das Leis da República dos Estados Unidos do Brasil de 1938, v.IV (decretos-leis). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1939. (BCOC)
- ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA E MEDICINA VETERINÁRIA. Programas das cadeiras apresentados pelos respectivos lentes e aprovados pela Congregação, 1924, 1929. (BN)
- ESCOLA Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Archivos Brasileiros de Medicina, Rio de Janeiro,1º sem., ano III, p. 535, 1913. (BMANG)
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FICHA TÉCNICA

Pesquisa – João Braga Arêas; Atiele de Azevedo Lima Lopes; Verônica Pimenta Velloso.
Redação- Verônica Pimenta Velloso.
Revisão - Francisco José Chagas Madureira.

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