Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)

 

 

DERBY, ORVILLE ADELBERT

Outros nomes e/ou títulos: Derby, Orville

 

 

DADOS PESSOAIS
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
PRODUÇÃO INTELECTUAL
FONTES
FICHA TÉCNICA

 

 

 

 

 

 

DADOS PESSOAIS

Orville Adelbert Derby nasceu no dia 23 de julho de 1851, em Kelloggsville, no condado de Cayuga, Estado de Nova York (Estados Unidos). Foi o terceiro filho do casal John C. Derby e Malvina A. Lindsey Derby, e passou sua infância na fazenda de seus pais em Finger Lakes, situada próxima à cidade de Kelloggsville.

Residiu no Brasil por 40 anos, tendo obtido a cidadania brasileira. Derby nunca se casou, e retornou aos Estados Unidos somente em duas ocasiões, em 1883 e 1890.

Suicidou-se em 27 de novembro de 1915, no quarto em que vivia no Hotel dos Estrangeiros, situado na Praça José de Alencar, na cidade do Rio de Janeiro (ORVILLE, 2006).

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TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Orville Adelbert Derby fez seus primeiros estudos em sua cidade natal e os preparatórios na Albany Normal School. Em 1869 ingressou no curso de geologia da University of Cornell, na cidade de Ithaca, sede do condado de Tompkins (Estados Unidos).

Veio ao Brasil pela primeira vez em 1870, ainda como estudante e a convite de Charles Frederic Hartt (1840-1878), seu professor de geologia e geografia, para participar juntamente com outros alunos de Cornell, da Expedição Morgan, dirigida por Hartt e assim denominada por contar com vultosas contribuições do Coronel Edwin Barber Morgan (1808-1881). Este convite teria decorrido da dedicação demonstrada por Orville Adelbert Derby em seu estudo sobre os briozoários fósseis do Estado de Nova York, tarefa esta considerada difícil para um jovem estudante de geologia, mas que já demonstrava sua grande capacidade (APROMIN, 2005)

Na primeira viagem Orville Adelbert Derby visitou Pernambuco, onde juntamente com o naturalista DeBorden Wilmont organizou uma importante coleção de fósseis da formação Maria Farinha, a primeira coleção sistemática daquela região. Na segunda viagem da Expedição Morgan, em 1871, novamente acompanhado por Charles Frederic Hartt, Orville Adelbert Derby se dirigiu ao vale do Rio Amazonas, onde explorou os Rios Tocantins, Tapajós e Xingu, e realizou uma coleta de fósseis carboníferos de calcário de Itaituba do Rio Tapajós, da qual resultou uma importante coleção.

Orville Adalbert Derby graduou-se em geologia, em 1873, e obteve o grau de "Master of Sciences" em junho de 1874, na University of Cornell, com a tese intitulada "On the Carboniferous Brachiopoda of Itaituba, Rio Tapajós, Prov. of Pará, Brazil". Sua tese, na qual utilizou o material que coletara durante as expedições científicas no Brasil, foi publicada, naquele mesmo ano, no Bulletin of Cornell University: Science.

Entre 1873 e 1875 ocupou o posto de instrutor de geologia e paleontologia na University of Cornell. Em 1874, quando seu professor, Charles Frederic Hartt, realizou uma nova expedição científica ao Brasil, Derby o substituiu em suas funções acadêmicas na referida universidade. A viagem organizada por Hartt não tinha apenas fins científicos, mas principalmente visava convencer as autoridades brasileiras da importância da elaboração de um mapa geológico do Império. Além da aceitação do Governo Imperial, Hartt obteve ainda uma outra vitória, que foi a criação da Comissão Geológica do Império, pelo Aviso de 30/04/1875. Hartt foi convidado para chefiá-la, e foram nomeados como seus assistentes Orville Adelbert Derby, Richard Rathbun (1852-1918), geólogo da University of Cornell, John Casper Branner (1850-1922), do Departamento de Botânica e Geologia da Indiana University, e os brasileiros Elias Fausto Pacheco Jordão, que havia se doutorado em 1874 em engenharia civil na University of Cornell, e Francisco José de Freitas. Integraram, também, o corpo técnico da comissão os geólogos Luther Wagoner e Herbert Huntington Smith (1851-1919), e o fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923).

A partir de sua nomeação como assistente da Comissão Geológica do Império, em 1875, Orville Adelbert Derby passou a residir na cidade do Rio de Janeiro. Com apenas dois anos de funcionamento a Comissão foi extinta, em 1877, por João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, Ministro da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, alegando-se economia de gastos. À época da extinção da Comissão, todo o material que fora coletado durante sua existência, foi depositado no Museu Imperial e Nacional , na cidade do Rio de Janeiro.

Durante os dois anos de funcionamento, a Comissão Geológica do Império realizou trabalhos em várias partes do Brasil. Orville Adelbert Derby iniciou suas pesquisas pela província da Bahia, alcançando ainda Sergipe, e nestas regiões estudou a geologia do Recôncavo baiano e do Rio São Francisco. Na região norte estudou os depósitos carboníferos da província do Pará, e estendeu suas observações até o Amazonas. Posteriormente realizou pesquisas também na província do Paraná.

Com a extinção da Comissão Geológica do Império, Orville Adelbert Derby, Charles Frederic Hartt e Richard Rathbun acondicionaram todo o material que haviam coletado, do qual resultou um relatório elaborado pelos três pesquisadores, e no qual enfatizavam a relevância daquele acervo para as pesquisas geológicas. O intuito era de que as autoridades enxergassem a importância do material e recriassem o órgão, mas os esforços realizados foram em vão, pois nada foi feito. Ainda em 1878, morreu Charles Frederic Hartt, vítima de febre amarela, e lhe foi atribuído o título de "Pai da Geologia no Brasil", por ser considerado o responsável pela luta em prol do reconhecimento dos estudos geológicos no país. Hartt na verdade foi o grande criador do primeiro órgão dedicado às pesquisas geológicas no Brasil, pois deste resultaram todos os outros que vieram posteriormente. Já Orville Adelbert Derby foi o responsável pela preservação do acervo científico da Comissão Geológica do Império. Uma vez extinta a comissão, os colegas norte-americanos de Derby retornaram aos Estados Unidos.

Orville Adelbert Derby trabalhou, sem receber remuneração, no Museu Imperial e Nacional até maio de 1879, quando foi nomeado chefe da 3ª seção de geologia nesta instituição, permanecendo neste cargo até 1890. Enquanto aguardava sua nomeação para este museu, Derby realizou vários trabalhos nas províncias do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Paraná e ainda na Bacia do Rio São Francisco, atendendo a interesses privados. Ainda neste período atuou na Comissão Hidráulica do Império, criada em 1879 para exploração do Alto São Francisco, e chefiada pelo engenheiro William Milnor Roberts (1810-1881). Participou de estudos sobre a navegação dos rios São Francisco e das Velhas, e sobre as obras de melhoramento do porto de Santos, e por todos estes trabalhos não obteve remuneração, recebendo apenas os meios para o desenvolvimento dos estudos. Como resultado produziu uma série de anotações e registros sobre as formações diamantíferas no Paraná, e sobre a formação geológica da bacia. Em Minas Gerais reconheceu a origem da flexibilidade dos itacolomitos (quartzito claro e quartzito rosado). Colaborou, ainda, com o geólogo Claude-Henri Gorceix (1842-1919) nos estudos paleontológicos da Carta Geológica de Minas Gerais (LOPES, 1997).

De 1879 até 1886, Orville Adelbert Derby dedicou-se integralmente às atividades no Museu Imperial e Nacional, como pesquisador, professor e organizador das coleções de mineralogia e de paleontologia pertencentes ao acervo da instituição. Neste sentido, compilou e organizou os estudos que Charles Frederic Hartt havia feito na Amazônia. Além disso, enviou a alguns especialistas uma parte das coleções do Museu para que fossem produzidas observações, as quais seriam publicadas pela instituição. Apesar de todos seus esforços, a seção de geologia que chefiava não possuía a mesma notoriedade se comparada às seções de zoologia e de botânica, devido à insuficiência de recursos para aquela seção. Tal situação levou Orville Adelbert Derby a organizar os gabinetes, laboratórios e coleções, para exibição ou guarda, a dar aulas e pareceres sobre a exploração de jazidas minerais, além de produzir pesquisas na área zoológica.

Apesar de todas estas tarefas, Orville Adelbert Derby realizou, neste período, inúmeros trabalhos de campo, e publicou cerca de 42 trabalhos não só no ramo da geologia, como também no campo da mineralogia, petrografia, paleontologia, jazidas minerais e meteoritos. Todos estes estudos, resultados dos trabalhos empreendidos no Museu Imperial e Nacional, foram publicados entre os anos de 1870 e 1890.

Em 1885, Derby foi convidado pelo presidente da província de São Paulo, João Alfredo Corrêa de Oliveira, para formular um plano de estudos sobre a geografia, o relevo, e a estrutura geológica de São Paulo. O plano proposto por Derby, segundo o presidente da província, foi:

"essencialmente o mesmo que organizara o malogrado professor Hartt para os trabalhos da comissão geológica do Império, e baseia-se nos métodos desenvolvidos pela experiência de muitos anos das comissões geográficas e geológicas dos Estados Unidos, os quais, atenta a rapidez e a economia da execução, são os mais apropriados para as regiões em que é extensa a área que se tem de explorar, e a população se acha disseminada. Contempla ele a organização de cartas, na escala de um centímetro por quilômetro, que serão ao mesmo tempo geográficas, topográficas, itinerárias, geológicas e agrícolas, e em que se representarão exatamente todos os centros de população e os estabelecimentos industriais e agrícolas, de certa importância; os acidentes da superfície; as estradas de ferro de rodagem; os cursos d´água; as minas, etc.; a configuração e elevação da superfície e a distribuição dos diversos terrenos geológicos e das terras de cultura, de criação, bem como das improdutivas. (....) Este plano é perfeitamente exeqüível, como a experiência dos Estados Unidos tem demonstrado, dentro de razoável período, contando-se com a mesma rapidez que em seus trabalhos empregam os geógrafos americanos." (RELATORIO, 2006, p. 99-100)

 

 

 

 

 

Orville Adelbert Derby apresentou, então, o "Esboço de um Plano para Exploração Geográfica e Geológica da Província de São Paulo", projeto este que fora já idealizado por Charles Frederic Hartt à época da Comissão Geológica do Império, e que Derby, na realidade, o adaptou de acordo com as necessidades da nova instituição. Sua proposta apresentava uma visão integrada da natureza, contemplando a geologia, a geografia, a botânica, a zoologia, a climatologia e a etnografia. A proposta foi aceita, e ele foi convidado para chefiar a Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo (atual Instituto Geológico de São Paulo), criada em 27/03/1886 pela Lei Provincial no 9.

Chefiou a Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo de 1886 a 1890, e foi o responsável pelo Boletim da Comissão Geográfica e geológica de São Paulo, em 1889. Entretanto, como também ocupava o cargo de chefe da 3ª seção de geologia do Museu Imperial e Nacional, e o acúmulo destas duas funções não era permitido, Derby acabou sendo dispensado de seu cargo no Museu Imperial e Nacional. Entretanto, mesmo após este afastamento, Derby manteve contato com aquela instituição, e especialmente com João Baptista de Lacerda, diretor do Museu entre 1895 e 1915.

Em 1887, após um ano de sua criação, a Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo foi reorganizada, tendo sido criadas três seções: geográfica-geológica, botânica e meteorologia. A instituição tinha como objetivo a produção de estudos nas áreas geográfica e geológica, com ênfase no aproveitamento dos recursos minerais e no benefício das vias de comunicação da província de São Paulo. Para o início dos trabalhos nesta Comissão, Orville Adelbert Derby contou com o auxílio do engenheiro Theodoro Fernandes Sampaio, do petrógrafo austríaco Eugen Hussak e dos alunos da Escola de Minas de Ouro Preto, Luiz Felipe Gonzaga de Campos e Francisco de Paula Oliveira. Através dos relatórios produzidos, como resultados das pesquisas realizadas nas áreas de geografia, história, geologia, constituiu-se um grande acervo. Derby teve, então, a idéia de criar e organizar um museu da Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo, e parte deste acervo deu origem ao futuro Museu Paulista.

Em 1888, Orville Adelbert Derby redigiu a ata de recebimento do meteorito Bendegó, que havia sido encontrado, em 1784, em Monte Santo (interior da província da Bahia), e doado ao então Museu Imperial e Nacional. Posteriormente, ainda escreveu um artigo sobre este meteorito, o qual foi publicado nos Archivos do Museu Nacional, em 1895.

Entre fevereiro de 1892 e janeiro de 1893 Theodoro Fernandes Sampaio e Luiz Felipe Gonzaga de Campos, respectivamente, foram exonerados de seus cargos na Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo. O primeiro foi substituído pelo topógrafo Horace E. Williams no cargo de chefe da seção geográfica da comissão. Em 28 de fevereiro de 1893 foi criada a seção zoológica daquela Comissão, e escolhido como seu diretor, o naturalista Hermann Friedrich Albrecht von Ihering.

Derby, em 1892, em uma de suas muitas correspondências com Hermann Friedrich Albrecht von Ihering, comentou sobre o estado da ciência naquele momento no Brasil:

"O Museu e a Escola de Minas reassumiram a antiga posição representada pela Politécnica e Escola de Medicina. Novas instituições de algum valor dificilmente serão fundadas até que os problemas políticos e financeiros se acalmem e quando começarem provavelmente seguirão o mesmo padrão. Tenho ainda algumas gotas de esperança em São Paulo, onde há dinheiro e uma certa quantidade de bom senso. Acredito que posso manter minha Comissão se conseguir e manter ajuda adequada." (Apud LOPES, 1997, p.197)

 

 

Orville Adelbert Derby, ainda na chefia da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, retratou as origens do Museu Paulista, em seu ofício de 29/08/1895, publicado no primeiro número da Revista do Museu Paulista:

"(....) esbocei um plano para o coordenar e desenvolver modestamente à sombra da Comissão Geográfica e Geológica, que tinha a seu cargo diversos serviços que podiam contribuir para várias seções de um Museu de História Natural (..). Sendo-me oferecida a cooperação de um zoologista de grande nomeada [Hermann von Ihering], aproveitei o ensejo para completar o programa de um verdadeiro museu propondo ao governo a criação de uma seção zoológica nesta Comissão - proposta que foi aceita (....) [e que] foi iniciada em maio de 1893. Logo depois o Congresso do Estado determinou criar no monumento do Ipiranga um museu independente, e no princípio do exercício de 1894 cessou a ligação provisória do Museu com a Comissão Geográfica e Geológica, passando para o novo estabelecimento o pessoal da seção zoológica desta". (Apud FIGUEIROA, 1997, p.144)

 

 

 

 

No dia 10 de fevereiro de 1896, Orville Adelbert Derby apresentou ao então Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Teodoro Dias de Carvalho Júnior, um esboço do projeto de organização da seção botânica da Comissão Geográfica e Geológica do então Estado de São Paulo, por meio da qual poderiam ser viabilizados projetos referentes ao serviço florestal e ao Horto Botânico. A idéia era é de que fossem criadas três seções: um Serviço Botânico Sistemático, o Serviço Experimental e o Serviço Florestal. Naquele ano integrou, juntamente com Francisco Ramos de Azevedo e Alberto Löefgren, a comissão técnica que recomendou a fundação de um horto botânico (atualmente pertencente ao Instituto Florestal) na região da Cantareira, na capital do Estado de São Paulo (ROCHA, 2006).

Em 9 de julho de 1898, Orville Adelbert Derby recebeu das mãos de Émil August Göldi, então diretor do Museu Paraense de História Natural e Etnografia, o título de Membro Honorário daquela instituição.

Apesar de todos os trabalhos realizados, a Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo foi duramente criticada por sua morosidade operacional e pela inexistência de um mapa geológico do Estado. Esta crítica teve como um de seus mentores, Francisco Bhering, catedrático interino da Escola Politécnica de São Paulo, o que abalou a liderança de Orville Adelbert Derby na Comissão. De acordo com Figueirôa (1997), esta controvérsia prolongou-se por três anos, e era uma disputa tanto em termos científicos quanto profissionais. Existiam as questões metodológicas dos levantamentos cartográficos, que opunha uma escola francesa, defendida por Bhering, a uma escola norte-americana, reiterada por Derby. Havia, igualmente, a oposição entre a visão de ciência aplicada, defendida por Bhering, e a de ciência pura, "atribuída por Bhering a Derby" (FIGUEIRÔA, 1997, p. 193). O aspecto profissional presente na controvérsia referia-se ao "processo de afirmação social da categoria profissional dos engenheiros iniciado no século anterior" (FIGUEIRÔA, 1997, p. 193).

Em 1904, houve um drástico corte nos recursos financeiros da Comissão, o que levou a um arrocho na remuneração dos funcionários. Orville Adelbert Derby tentou intervir junto às autoridades, mas seus esforços foram em vão, e no mesmo ano, o governo optou por reformular o órgão, oferecendo-lhe um outro cargo. Em ofício de 20 de janeiro de 1905, então, Derby pediu demissão da Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, como uma forma de protesto perante a falta de incentivo aos estudos geológicos no Brasil. Seu pedido de demissão foi aceito, sendo substituído pelo engenheiro civil João Pedro Cardoso.

Após desligar-se da Comissão, Orville Adelbert Derby foi convidado pelo Secretário de Agricultura da Bahia, Miguel Calmon du Pin e Almeida, para dirigir o Serviço de Terras e Minas do Estado da Bahia. Derby aceitou este convite e desempenhou esta função até o mês de janeiro de 1907. No período em que esteve na Bahia, Orville Adelbert Derby estudou a geologia local, intensificando as pesquisas acerca da ocorrência de manganês e de diamante em algumas áreas.

Em fins de 1906, recebeu o convite de Miguel Calmon Du Pin e Almeida, então Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, para organizar o Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, criado pelo decreto nº 6.323 de 10/01/1907 para fazer o estudo científico da estrutura geológica e mineralógica do país, objetivando sua aplicação prática. Derby aceitou o convite e, para compor a equipe, indicou como primeiros-engenheiros a Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa, Francisco de Paula Oliveira, e Luiz Felipe Gonzaga de Campos, e para segundos-engenheiros Carlos Moreira e Cícero de Campos. Posteriormente também foram incorporados Benedito José dos Santos e Euzébio Paulo de Oliveira. Derby, em uma de suas correspondências com Horace E. Williams, destacou a importância do combate à seca no nordeste do país entre as ações empreendidas pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil:

"(...) você deveria ver uma típica região da seca, ver o suficiente para formar uma idéia da aparência geral e formular um plano de ação, e então vir para o Rio para consultas. (....) Os distritos de Quixadá e Quixeramobim são os únicos para os quais temos informações meteorológicas detalhadas (...). De acordo com minha idéia, a primeira localidade é naturalmente indicada para o plano de primeira estação agrícola e eu espero que você a tenha estudado com essa idéia em vista." (Apud FIGUEIRÔA, 1997, p.221)

 

 

O Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, a partir de 1909, ficou subordinado ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Depois de 1910, o órgão passou por uma série de dificuldades, principalmente com a redução de verbas que levou à diminuição dos salários de seus funcionários. Com o início da 1ª Guerra Mundial, o orçamento da instituição foi bastante reduzido e as diretrizes foram absolutamente modificadas, repetindo os episódios que haviam ocorrido anteriormente com a Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo. Derby solicitou, então, verbas para a instituição, mas esta reivindicação não foi atendida por José Rufino Bezerra Cavalcanti, que assumira o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio em julho de 1915. Orville Adelbert Derby trabalhou no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil até seu falecimento, em 1915.

Orville Adelbert Derby atuou em vários campos das ciências geológicas, tendo publicado 48 trabalhos sobre mineralogia e geologia econômica, 42 de geografia física e cartografia, 32 de geologia, 10 de petrografia, 19 de meteorologia, e 18 de arqueologia e paleontologia. Publicou, em 1891 os primeiros mapas pormenorizados da América Meridional, e em 1915 um dos primeiros mapas geológicos do país. Muitos de seus estudos sobre o Brasil foram publicados na França, Alemanha e Estados Unidos.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, da London Geological Society e da American Association for the Advancement of Science, e colaborador dos periódicos American Journal of Science, The Proceedings of the American Philosophical Society, e Quarterly Journal of the Geological Society.

O geólogo John Casper Branner, que juntamente com Orville Adelbert Derby havia integrado a Comissão Geológica do Império, em 1875, colocou, na primeira edição de sua obra "Geologia Elementar" (1906), a seguinte dedicatória em reconhecimento aos trabalhos de Derby: "To Orville Derby, who has devoted his life to the study of Geology of Brazil, and has done more than any one else to solve its problems, this work is affectionately dedicated" (Apud PIRES, 2001). Este mesmo geólogo, em 1916, publicou o artigo "Orville A. Derby" no periódico Science (v.43, Issue 1113, p.596, 28 april 1916).

Em 23 de julho de 1951, por ocasião do centenário de seu nascimento, o diretor geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a Academia Brasileira de Ciências e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) promoveram a realização de uma solenidade, na qual foi lido um texto de Avelino Ignácio de Oliveira, também estudioso da geologia no Brasil, em homenagem a Orville Adelbert Derby. Em 1952, a Comissão Executiva para a Comemoração do Centenário de nascimento de Orville Adelbert Derby, com a colaboração da Embaixada Americana, publicou, como homenagem, a obra "Orville A. Derby's Studies on the Paleontology of Brazil", coordenada por Alpheu Diniz Gonçalves.

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PRODUÇÃO INTELECTUAL

- "A Ilha do Marajó e suas antiguidades". Aurora Brazileira, Ithaca, N.Y.: Typ. Da Universidade de Cornell, n.3, 20 dez. 1873.
- "On the Carboniferons Brachipoda of Itaituba, Rio Tapajos, Prov. of Pará, Brazil". Bulletin of the Cornell University: Science, v.1, n.2, 1874.
- "Contribuição para a geologia da região do Baixo Amazonas". Archivos do Museu Nacional, v.II, p.77-104,1877.
- "Geologia da região diamantífera da Província do Paraná no Brasil". Archivos do Museu Nacional, v.III, p. 89-96, 1878.
- "A Bacia Cretacia da Bahia de Todos os Santos". Archivos do Museu Nacional, v.II, p.131-158, 1878.
- "On Nepheline rocks in Brazil; with special reference to the association of Phonolite and Foyaite". Quarterly Journal of the Geological Society, London, XLIII, p.457-475, ago. 1887.
- " Manganese in Brazil - Twentieth Annual Report of the U.S. Geological Survey", Part VI, 140-142, Washington, 1898/1899.
- "On the Manganese Ores of Brazil (Discussion of an article by H.K. Scott)". Journal of the Iron and Steel Institute, London, 1, p.203-210, fev. 1900.
- "On the manganese ore deposits of the Queluz (Lafayette) District, Minas Gerais, Brazil". American Journal of Science, New Haven, 4th Series, v., XII, p.18-32, 1901.
- "Manganese deposits of Nazareth, Brazil". Eng. Mining Journal, New York, v. 80, p.679, 1905.
- "O Manganês de Nazaré (Bahia)". Diário da Bahia, Salvador, mar., 1905.
- "O Manganez na Bahia". Bahia, Secretaria de Agricultura, Viação e Indústria. O. Publ., ano II, v. V, p.62-65, 1905.
- "Notas Geológicas sobre o Estado da Bahia". [s.l.]: [s.n.], 1905
- "Os primeiros descobrimentos de diamantes no Estado da Bahia". [s.l.]: [s.n.], 1906.
- "The Serra do Espinhaço, Brazil". The Journal of Geology, v.XIV, 196, p. 374-401, jul./ago. 1906.
- On the Original type of the manganese ore deposits of Queluz District, (Minas Gerais, Brazil ). American Journal of Science, New Haven, v., XXV, p. 213-216, mar. 1908.

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FONTES

- APROMIN - Associação Brasileira de Profissionais da Mineração. [Orville Derby]. Capturado em 01 dez. 2005. Online. Disponível na Internet: http://www.sigesp.org.br/sig_derby.html
- BRASIL - Cronologia 500 Anos de Mineração. (continuação). Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet:
http://paginas.terra.com.br/educacao/br_recursosminerais/1808_1889.html
- CPRM. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Orville Derby . Capturado em 24 ago. 2006. Online. Disponível na Internet:
http://www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=528&sid=8
- DERBY , Orville Adelbert. In: American Biographical Library. Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet|: http://search.ancestry.com/db-abl/P76.aspx
- FIGUEIRÔA, Silvia Fernanda de Mendonça. As Ciências Geológicas no Brasil: uma história social e institucional 1875-1934. São Paulo: HUCITEC, 1997. (BCOC)
- LAMEGO, Alberto Ribeiro. Derby, o sábio incompreendido . Capturado em 24 ago. 2006. Online. Disponível na Internet: http://www.degeo.ufop.br/Portugues/derby.htm
- LOPES, Maria Margareth. O Brasil descobre a Pesquisa Científica: os Museus e as Ciências Naturais no século XIX. São Paulo : Hucitec, 1997. (BCOC)
- ORVILLE Adelbert Derby. In: Wikipedia The Free Encyclopedia. Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet: http://en.wikipedia.org/wiki/Orville_Adalbert_Derby
- ORVILLE A. Derby (1851-1915). Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet:
http://pessoal.onda.com.br/bosetti/orvillederbysite.htm
- PIRES, Fernando Roberto Mendes; CABRAL, Alexandre Rafael. Estudos de Orville Derby sobre os depósitos manganesíferos do Brasil - Edição comemorativa dos 150 anos de nascimento do cientista. Rem, Rev. Esc. Minas . v.54, n.3 , p.205-209, jul./set. 2001. Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0370-44672001000300007
- RELATORIO apresentado à Assembléa Legislativa Provincial de São Paulo pelo Preseidente da Província João Alfredo Corrêa de Oliveira no dia 15 de fevereiro de 1886. São Paulo: Typographia a vapor de Jorge Seckler & C., 1886. Mensagens dos Presidentes das Província (1830-1930). Obtido via base de dados PROJETO DE IMAGEM DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS BRASILEIRAS DO CENTER FOR RESEARCH LIBRARIES E LATIN-AMERICAN MICROFILM PROJECT. Capturado 13/01/2006. Online. Disponível na Internet: http://www.crl.edu/content/pindex.htm
- ROCHA, YURI TAVARES and CAVALHEIRO, FELISBERTO. The historical aspects of the Botanical Garden of São Paulo . Revista Brasileira de Botânica , v.24, n.4, supl., p.577-586, d ez. 2001. Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-84042001000500013
- SENA, Costa. Orville Derby. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1918. (IHGB)
- SEISQUICENTENÁRIO de Orville A. Derby. Carta Geológica. Informe trimestral do Núcleo Bahia/Sergipe da Sociedade Brasileira de Geologia. Ano 2, n.7, set. 2001. Capturado em 13 jan. 2006. Online. Disponível na Internet: http://ftp.unb.br/pub/UNB/ig/sbg/Carta_Geol_7.pdf
- SILVEIRA FILHO, Nelson Custódio da. Orville Adelbert Derby no Brasil . O Pai da Geologia do Brasil. Síntese histórica preparada pelo geólogo Nelson Custódio da Silveira Filho. Capturado em 12 jan. 2006. Online. Disponível na Internet:
http://paginas.terra.com.br/educacao/br_recursosminerais/orville_derby.html
-TOLEDO, J. Dicionário dos Suicidas Ilustres . 1995. Capturado em 10 jun. 2003. Online. Disponível na Internet: http://www.angelfire.com/ri/casadosol/suicidas.html
-TOSATTO, Pierluigi. Orville A. Derby "O pai da Geologia do Brasil". Rio de Janeiro: CPRM; DNPM, 2001. (RGPL)

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FICHA TÉCNICA

Pesquisa - Gil Baião Neto; Lucilia Maria Esteves Santiso Dieguez.
Redação - Lucilia Maria Esteves Santiso Dieguez, Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Revisão - Maria Rachel Fróes da Fonseca.

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