Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)

 

 

ABREU, FRANCISCO BONIFÁCIO DE

Outros nomes e/ou títulos: Vila da Barra, Barão de

 

 

DADOS PESSOAIS
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
PRODUÇÃO INTELECTUAL
FONTES
FICHA TÉCNICA

 




 

 

 

 

 

 

 

DADOS PESSOAIS

Francisco Bonifácio de Abreu nasceu na Vila da Barra, na então província da Bahia, em 29 de novembro de 1819. Era filho de Francisco Bonifácio de Abreu e de Joana Francisca da Motta.

Em 6 de setembro de 1870 foi agraciado, por carta de mercê, com o título de Barão de Vila da Barra, ao qual acrescentou grandeza em 15 de novembro de 1876 (VASCONCELOS, 1964). Ainda recebeu os títulos de Grande Dignatário da Imperial Ordem da Rosa e Comendador da Imperial Ordem de Cristo, e foi condecorado com a medalha de Campanha do Paraguai.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de julho de 1887.

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TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Francisco Bonifácio de Abreu doutorou-se em medicina, em 1845, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, com a tese “I. Os homens julgam acertadamente seus semelhantes? Si não, o porque? E como, si não acertar, se quer chegar da certeza de seu juizo? II. A organização tem sido prejudicada com a reforma que o capricho dos homens entendeu devia dar ao seu funccionar ? III. O número e a virtude dos medicamentos tem procurado à sociedade os bens que delles se promettia? Qualquer será apto a administral-os? Muitos, que o são, fazem-no com sizudez? A falta de seu effeito é motivo de dezar ao medico? IV. Os bailes motivam alguma quebra na saude publica?” . Realizou os quatro primeiros anos do curso na Faculdade de Medicina da Bahia.

Foi lente de geografia do Liceu Baiano (1850).

Posteriormente transferiu sua residência para o município da Corte, onde foi lente substituto da seção cirúrgica (1852), e lente catedrático de química orgânica (1854) da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Em viagem de comissão do governo Imperial à Europa, em 1854 (ou 1855), estudou química orgânica com o químico francês Charles-Adolphe Wurtz, em Paris.
Francisco Bonifácio de Abreu foi médico da Imperial Câmara (1859), e acompanhou, como médico, o Imperador Pedro II e sua comitiva, em viagem pelo norte do Brasil, em outubro de 1859 (BLAKE, 1893).

Jubilou-se da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1873.

Serviu como cirurgião-coronel honorário do Exército, na Guerra do Paraguai (1865-1870), onde foi, em 3 de outubro de 1867, designado inspetor de todos os hospitais e enfermarias militares naquela campanha, e chefe interino do Corpo de Saúde do Exército (1869). Ainda durante este conflito, prestou atendimento médico a Luís Alves de Lima e Silva (duque de Caxias), aconselhando-o a retornar à Corte para tratar de sua saúde.

Francisco Bonifácio de Abreu foi deputado pela Província da Bahia nas 14ª,15ª,16ª,17ª,18ª,19ª e 20ª legislaturas, presidente das Províncias do Pará (1872) e de Minas Gerais (1875-1876), e membro do Conselho de Sua Majestade, Grande do Império e Médico da Imperial Câmara.

Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro de várias sociedades científicas e literárias.

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PRODUÇÃO INTELECTUAL

Obras científicas:
- “These apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. I. Os homens julgam acertadamente seus semelhantes? Si não, o porque? E como, si não acertar, se quer chegar da certeza de seu juizo? II. A organização tem sido prejudicada com a reforma que o capricho dos homens entendeu devia dar ao seu funccionar ? III. O número e a virtude dos medicamentos tem procurado à sociedade os bens que delles se promettia? Qualquer será apto a administral-os? Muitos, que o são, fazem-no com sizudez? A falta de seu effeito é motivo de dezar ao medico? IV. Os bailes motivam alguma quebra na saude publica?” Rio de Janeiro, 1845. Tese (Doutoramento) - Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1845.
- “História e Geografia: proposições” . Salvador, 1850. Tese (Concurso para professor de geografia) - Liceu da Bahia, 1850.
- “Dissertação na qual se justifica o aborto provocado e depois se demonstra: 1. Que o aborto provocado por legítima indicação é menos arriscado e funesto que o parto instrumental correspondente. E como corolários desta proposição: 2. Que o aborto espontâneo é menos perigoso que o parto natural respectivo. 3. Que o aborto complicado, mas ainda espontâneo é menos perigoso que o parto complicado, mas ainda efetuado somente pelas forças do organismo.” Rio de Janeiro, 1851. Tese (Concurso para lente substituto) – Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Tip. Universal de Laemmert, 1851.
- “De chirurgico et de oculorum effusione: theses quae apud fluminensem medicinae facultatem, doctori Francisco Bonifacio Abreo, candidato ad umam cathedram seccionis chirurgiae professore vicario carentem tuendae sunt”. Rio de Janeiro, 1852. Tese (Concurso de substituto da Seção Cirúrgica) – Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: [s.n.], 1852.
- “Memória Histórica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no ano de 1863, apresentada à respectiva Congregação”. Rio de Janeiro: Tip. Paula Brito, 1864.
- “Relatorio apresentado à Assembléa Legislativa da provincia de Minas Geraes na sessão ordinaria de 1876”. Ouro Preto: [s.n.], 1876.
- “Relatorio com que ao Illm. E Exm. Sr. Barão de Camargos passou a administração da provincia etc.” Ouro Preto: [s.n.], 1877.
- “Receitas assinadas pelo Dr. Azevedo Lima e pelo Barão da Vila da Barra”. Rio de Janeiro: [s.n.], 17/7/1893; 1882.

Francisco Bonifácio de Abreu também dedicou-se à literatura:
- Romances (em verso):
“Tersina”. Bahia, 1848.
“Palmira, ou a ceguinha brazileira”. Bahia, 1849.
- Prosa:
“Extirpação de uma lupia” . Publicada no Atheneo . Bahia, 1849.
- Ópera lírica:
“Moema e Paraguassú: episodio da descoberta do Brazil. Opera lyrica em tres actos, vertida para o italiano por Ernesto Ferreira França”. Rio de Janeiro: [s.n.], 1860.
- Traduções:
“A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Obra póstuma. Rio de Janeiro: [s.n.], 1888.
- Composições poéticas:
“Soneto à morte do Duque de Caxias” (no Jornal do Commercio).
“Soneto ao tricentenario de Camões” (no Jornal do Commercio).
“Saudação à Cachoeira de Paulo Affonso” . In: MEMORIAS da viagem de suas magestades imperiaes à provincia da Bahia, colligidas e publicadas por P.de S. Rio de Janeiro: [s.n.], 1867.

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FONTES

- BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893. v.2. (BCOC)
- MAGALHÃES, Fernando. O Centenário da Faculdade de Medicina 1832-1932. Rio de Janeiro: Tip. A . P. Barthel, 1932. (BMANG)
- SANTOS FILHO, Lycurgo de Castro. História Geral da Medicina Brasileira. São Paulo: HUCITEC/EDUSP, 1991. v. 2. (BCCBB)
- VASCONCELOS, Vasco Joaquim Smith de. Médicos e Cirurgiões da Imperial Câmara. Campinas: [Academia Campinense de Letras], 1964. (BN)
- Vila da Barra. In: Freitas, Sérgio de. A Nobreza Brasileira de A e Z. Capturado em 27 dez. 2002. Online. Disponível na Internet http://geocities.yahoo.com.br/Kajafreitas/Nobv.htm

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FICHA TÉCNICA

Pesquisa - Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Redação - Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Revisão – Francisco José Chagas Madureira.

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